As pedras da nossa casa

IMG_0084Ao retirar o cimento que cobre as paredes da casa descobriu-se que as pedras, pouco trabalhadas e não muito uniformes, estão apenas encostadas umas às outras e o seu interior é preenchido com terra, meio arenosa e seca, sem dúvida um bom isolamento.

Nas esquinas, portas e janelas nota-se preocupação com o aprumo e alinhamento, nem sempre conseguido, mas o resto é preenchido com pedras pouco escolhidas. Provavelmente era o material que se encontrava mais próximo ou resultante das escavações para desbravar os terrenos ainda incultos.

IMG_0079Tudo indica que a sua construção deve ser centenário e, na altura deve ter sido uma das maiores, se não a maior construída na Lombada. Foi levantada pela grande família dos Bacalhaus, proprietária dos vários terrenos em redor.

Armada toda em pedra com cantarias nas portas de entrada, tinha o tecto travejado com madeiras de castanho velho e era abafada com telhas de canudo que não resistiam ao vento e à chuva. Quando chovia, pingava em vários quartos mas, o primeiro, onde desembocava a escada, por ser o maior, sem tecto forrado, era o mais atingido.

Por isso, o ideal do pai foi desde o início, deitar uma lage para vencer as adversidades do tempo de forma douradora. Com a lage veio o alargamento da parede virada para a serra, a telha de cimento e o reboco das paredes exteriores. Ficámos assim com três paredes grossas de pedra e uma de blocos, todas rebocadas, seguindo as tendências da altura em que uma casa de pedra era sinal evidente de pobreza.

Na altura o pai dava prioridade aos mestres que estavam a começar. O seu objectivo, além de reduzir os custos, era realizar a obra como queria. Por isso, como a parede da escada do balcão não está alinhada, o mestre dizia que não era possível rebocá-la. Claro que o pai não ia na conversa e mandava, em vez de rebocar, “disfarçar.” Se o mestre insistia, receando os comentários dos observadores sempre atentos, um copo de vinho, dois ou três, resolviam lindamente o problema.

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Uma resposta a As pedras da nossa casa

  1. maria celina garces diz:

    Pois bem, sinto tanto respeito pelas origens da nossa casa que,quase chego a pensar: Na epoca, o Pai dava uns passinhos sempre a frente!

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