O dia de Avelino

Pela primeira vez Avelino compareceu num tribunal. Esperou que se fartou, sem protestar muito, ou melhor, sem perguntar muito, apesar do estranho, muito estranho cenário, para os seus olhos.

Apesar de calmo, aquela “consulta” ao princípio da tarde, levantou-lhe algumas dúvidas sobre se a mãe também ia ao “pica” ou ao Funchal, se havia ou não carro grande para o dia seguinte, se havia missa…. as dúvidas do costume!

O que ele não confiou a ninguém foram os seus documentos pessoais e a carta convocatória do tribunal. Mesmo na sala de audiências, onde – grande privilégio – ficou dispensado de se levantar à entrada do juiz, não largou os documentos.

Sentado na sua cadeirinha, com ar espantado, Avelino olhou para todo aquele cenário e, durante os dez minutos da audiência, manteve a cabeça baixa e, certamente, nem deve ter ouvido o juiz anunciar que a sua presença não servia para nada porque quem o devia observar não compareceu no tribunal. A nova audiência ficou marcada para o dia 21 de Maio.

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3 respostas a O dia de Avelino

  1. maria celina garces diz:

    Revoltante, para n dizer outras tantas coisas.
    Beijinhos

  2. Lita diz:

    Incrível… é assim que se gastam uns euros desnecessários!!!
    1º acho absurdo o aparato, tendo em conta os relatórios médicos e a situação de Avelino;
    2º ter de voltar, porque alguém não compareceu e não há consequências para o faltoso;
    3º não era suposto ser apenas uma audiência, ou talvez uma verificação do estado dependente dele;
    4º será indispensável este aparato todo e este desperdício de dinheiros públicos, tanto mais que a situação vai repetir-se…
    5º Imagino como o mano não estava nervoso…
    Bjinhos aos 2 manos e obrigado.
    Bj.

    • Marta diz:

      Pela enumeração de itens todos ordenadinhos, dir-se-ía que alguém ainda acha que vivemos num Estado de direito e não num país a saque: da saúde, das pensões, dos ordenados, da justiça – quem dá mais?!… -, da dignidade, da solidariedade, etc. É o governo do estagiário.

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