Mais uma passagem pelas urgências

<O discurso amarrado a ideias fixas, multiplicação de tarefas sem grande lógica e as perturbações na alimentação eram sinais de que algo estava para acontecer: mais uma corrida para as urgências de S. Vicente!

Uma manhã no soro, uma ligeira alteração na medicamentação e os conselhos de um médico atento evitaram uma ida, em correria, ao Hospital do Funchal e permitiram o regresso de Dona Aninhas a casa.

Foi mais um susto mas, sobretudo, um importante AVISO dado pelo médico: sempre que o bolçar se multiplicar durante a mesma refeição, ou se esta situação acontecer em refeições seguidas  ou a quantidade expelida for superior à ingerida estamos perante um sinal de desequilíbrio muito sério e é necessário ir, imediatamente, às urgências. Basta que uma destas situações ocorra para que as campainhas de alerta sejam”disparadas”.

Para simplificar, o médico explicou que esta perturbação (bolçar) não é normal: ela tem “origem nervosa” (emocional) e é um aviso de que há alterações no seu ritmo cardíaco.

O aviso significa que, da nossa parte, teremos de manter o nosso apoio de forma coerente e continuada, sem ruturas e sem tiradas emocionais, articulando sempre o trabalho de quem parte com quem fica.

Articular o trabalho significa:

  • dar sequência responsável às indicações médicas;
  • seguir com atenção as informações dadas pelo “cuidador” anterior;
  • dar continuidade às rotinas diárias;
  • respeitar o trabalho excecional desenvolvido pela Paula;
  • ter bom senso no atendimento às inúmeras solicitações que cuidar de alguém idoso sempre implica;
  • ter consciência de que as transições (sai um entra outro) provocam sempre alterações emocionais e que, o mais natural, é acontecerem situações similares à que foi relatada (D. Aninhas já é bem conhecida no Hospital de S. Vicente; a certa altura, virando-se para Celina, o médico questionou: “Vai sair em breve e a seguir vem outra irmã não é?”).

A companhia, o carinho e uma boa conversa é o melhor presente que se pode dar a D. Aninhas que, com a sua experiência de vida, tem sempre histórias para contar (vide a história da sua viagem no vapor, a sua recordação da loja do Sr. Albino, a história da roseira da entrada de casa relatada num vídeo, etc, etc). Para além disso, é também importante manter D. Aninhas a par das notícias do seu círculo pessoal (vizinhos e amigos) e até do mundo, para que não sinta que está a ser esquecida, simplesmente porque já é “velha” e “não vai entender”.

É que falar sobre as suas memórias e sobre as notícias do momento evita que ela fale das coisas que poderão implicar alterações emocionais (as semilhas, as galinhas, os regos, a rama, a erva, o Avelino, etc…). Sabemos que isto é difícil… mas sermos nós a “puxar” a conversa evita a sua “conversa” que, invariavelmente, anda sempre à volta daqueles temas que já são uma obsessão.

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Uma resposta a Mais uma passagem pelas urgências

  1. Marta diz:

    Sabia que o bolçar era provocado por altercação nervosa , mas não sabia da alteração do ritmo cardíaco que, numa pessoas saudável se repõe normalmente, mas no caso da mãe é sinal de preocupação e vigilância constante. Quando é que estes médicos nos ensinam mais qualquer coisinha??!! suponho que quando aprenderem!… ainda bem para nós que o último sabia.

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