Memórias do fio da Passada

Altino descobriu, numa voltinha pelos “nossos” caminhos de antigamente, o batente do fio da Passada que, durante anos, esteve amarrado junto ao palheiro do avô ou numa parede, dentro do ribeiro.

Durante anos aquele filo, além de aliviar as costas de quem era obrigado a acarretar lenha dos Lamaceiros ou das Ladeiras, era o nosso fascínio.

Às vezes, quando se estava a cavar ou plantar na Chamusca o pai, com ares de boa vontade, lá autorizava uma ida à Passada sem a sua presença. Ele sempre viu bem ao longe.

Aquilo era um pulinho, sempre a subir…O ideal era arranjar os maranhos e deitar já quase a entardecer. Os ganchos faiscavam da serra até ao batente, parecia um raio a cair, mas sem meter medo.

O problema era quando um maranho empatava. Levava com um pau de louro e vinha direito ao batente ou caía na fazenda de algum vizinho e havia logo problema pela certa.

Toda a gente apreciava o espectáculo e as meninas lá de casa até achavam graça quando se deitava lenha com grandes ramos de louro atravessados para diminuir a velocidade. Diziam elas que eram maranhos com asinhas.

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2 respostas a Memórias do fio da Passada

  1. teresa garces diz:

    ó manos tudo esse trabalho de aterrar semilhas, ,cavar ,o que quer que fosse na chamusca ,era bom depois para nao chegar a casa sem nada ,o pai resolvia á calada subir á passada para deitar meia duzia de maravallhos , fazia parte da melhor forma de passarmos na estrada para cima todas aceadas cabelo esticado c/ glocerina (botas dentro do saco)
    chinelas nos pes de unhas pintadas de verniz branco era chique + meia duzia de reparos nas nossas roupas ,para a mae depois fazer igual( IRRITAVA ) mas depois a avó compemsava-nos c/ uma sopa levezinha c/ pezinho de inhame ,feijão digam lá sabia bem .
    teresa garces

  2. maria c. garces diz:

    ….e depois das meninas se deliciarem com o espectáculo dos molhos a cair, alguns com fogo de vista, era então, hora de os carregar para casa (era doloroso, atravessar o ribeiro sinuoso, até chegar à estrada e,depois, ainda tinhamos de enfrentar uns mirones que se especavam na estrada para comentarem a força humana das meninas do sr. Janes.
    beijinhos
    Celina

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