O pai era sempre assim!

Em dia de festa o pai ouvia com atenção os foguetes para a missa e, só depois da conversa, dos reparos dos amigos é que começava o seu ritual para partir.

A mãe mandava os mais pequenos à frente e, quando já estava quase a sair, aparecia o pai a reclamar que não sabia onde estava a água, o sabão, a toalha ou então que a camisa não estava no lugar do costume e as calças:

– As calças? Onde está o cinto?!

Tudo se compunha sempre, um pouco antes dos foguetes começarem a rebentar, para assinalar as primeiras palavras do padre.

O pai caminhava com ar apressado e respondia sempre com uma laracha aos comentários dos que saudavam o seu proverbial pequeno atraso.

Seguia direito à igreja de modo a evitar chegar antes do sermão. Este era um ponto importante para afirmar, em qualquer discussão, que cumpriu o seu dever.

O problema do pai era sempre o regresso. O caminho da igreja até casa nunca era direito: tinha muitas entradas.

Era o nosso pai e no primeiro dia de 2012 a sua campa mereceu a nossa visita. Teresa viu uns lindos sapatinhos no tapete da igreja, mas não foi a tempo de os requisitar para a sua boa ação.

Felizmente que, outra Teresa tinha o raminho ali mesmo à mão… e os sapatinhos acabaram por ficar na campa do pai a lembrar que, em dia de festa, o pai andava sempre por ali.

     

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7 respostas a O pai era sempre assim!

  1. Pingback: O NOSSO BLOGUE – 2012 em revista | Primeira Lombada

  2. teresa diz:

    recordar é viver , mas tambem fui levar flores á tia Maria.
    manuel esqueceu-te do chapeu preto que de domingo a domingo descansava sobre o guarda fatos , no santo dia soprava-lhe o pó e vai para a missa
    bjs
    teresa

  3. Marta diz:

    Manuel,
    Com uma memória como a tua, o pai nunca morre; no meu caso até renasce, pois eu não sei metade do que falas (vá-se lá saber porquê – idade?!… desinteresse?!…distracção?!) Bem hajas!

    M.A.Pina:
    “A minha juventude passou e eu não estava lá
    pensava em outra coisa, olhava noutra direcção
    os melhores anos da minha juventude perdidos por distracção”

  4. odilia diz:

    É bom recordar

    • celina diz:

      Que bom saber que tenho um irmão Janes, que descreve na perfeição estes dias de Festa e missa vividos pelo Pai; quase que sinto o PAI por perto. Tudo é gratificante!
      -A Teresa que faz uma visita ao Pai ,levando-lhe flores.
      -Manuel que passa informação preciosa de toda a quadra Nataliçia.
      Beijinhos de Celina

      • Lita diz:

        Pois era… conhecemos bem o resultado de todas essas entradas! Chegava a casa “entortado” e era o bom e o bonito…
        1º, era o sermão pelas modas do “estapor”, que as manas traziam da cidade. Calças largas, saias curtas e/ou cabelos curtos. Modernices que não cabiam no protótipo de meninas virtuosas e bem comportadas, segundo as leis da igreja (ou do pai).

        2º, para ajudar vinha o Sr. Tio Tiago compor o ramalhete… O que mais complicava era quando a Mãe ousava falar!!! Enfim, lembremos as muitas coisas boas…

        Mana Teresa, o Pai não queria tantos “alisanços”, mas eram lindos os teus sapatinhos e o tapete do adro muito colorido e bonito.
        bjs

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