OS FIGUINHOS NO AVENTAL DA AVÓ

Este ano, Teresa anda desconsolada com as bêberas. Andou a apanhar milho com a mãe e não resistiu a espreitar os ramos da figueira. Pareceu-lhe que, certamente devido à muita chuva que tem caído, os figos, em vez de crescerem, andam a diminuir de tamanho.

Parvinha! – diria Altino, durante muitos anos o grande especialista em descobrir os primeiros figos. A sua tática de observação atenta, aliada à experiência acumulada, era infalível e servia para ditar a altura certa para colocar a taramela a afugentar os pássaros.

Depois, sorrateiramente lá confessava que já tinha apanhado alguns e, perante as súplicas e pedidos lancinantes das irmãs – que não enxergavam nada -, lá aprecia com meia dúzia de figos nos bolsos das calças para distribuir.

Mais doce e surpreendente era a avó que, muito antes de Altino, também tinha um olhinho atento às novidades da figueira grande. A avó aparecia com o avental dobradinho pela cintura e, como quem não quer a coisa, deixava que as netas se embeliscassem, pacificamente, pelos primeiros figuinhos.

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