A ENXADA PESADA

A enxada do pai ainda anda lá por casa, agora, felizmente, votada ao descanso e a despertar memórias de quem olhar para ela.

No passado, ninguém se atrevia a pegar na enxada. Era a maior e a mais pesada lá de casa e, só a mãe, de longe a longe, atrapalhada com a água já a fazer estragos nos regos, agarrava nela para puxar o “atafulho “ou limpar os cantos da levada.

Claro que, nessas emergências, a enxada nem sempre voltava ao lugar de origem. O pai estuporava em voz alta e, enquanto barafustava, a mãe dava uma voltinha e a enxada grande de cabo de urze bem polido voltava a aparecer.

A única exceção a este ritual de hábitos e costumes era a atrapalhação dos mais pequeninos quando pretendiam demonstrar força de gente grande e pegavam na enxada. O pai deliciava-se tanto com o ar desajeitado do miúdos para levantar aquele peso monstro do chão que, ainda hoje, deve voltar a rir sempre que alguém pega na sua enxada.

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