JANES, JÁ SÃO HORAS!

Quem entrar devagarinho no lagar e olhar para a janela do fundo, descobre, mesmo sem querer, a presença do pai.

Andam por ali os ecos das conversas com os amigos, os sons secos do bater da colher a dissolver o açúcar no copo de vidro grosso, o cheirinho da casquinha de limão e o pires para repartir o imprescindível bago de laranja.

Lá está, como ele deixou, a mesinha pequena com a toalha de plástico, o local preferido para, todas as manhãs, dar sempre um novo alento ao dia de trabalho.

Aquele ritual era sagrado e, em certos dias mais friorentos, era quase um remédio para as doenças mais vulgares. O pai, de vez em quando, convidava sempre todos com a desculpa de que, naquele dia, “era fraquinha”.

Muitas vezes, ainda na cama, ouvia-se a voz amiga do tio Tiago a chamar: «Janes, já são horas!». Era a primeira conversa do dia a que, por vezes, se juntavam também outras companhias amigas.

Nesses dias, o ritual era mais pomposo e havia até alguma algazarra para saber quem devia ir procurar a laranjinha da praxe para quebrar o jejum antes do copinho branco de vidro grosso circular de mão em mão.

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