A LANTERNA… QUASE MÁGICA

Uma das marcas da tia Maria, quando regressou a nossa casa, muito antes da chegada da eletricidade, era uma lanterna vermelha, parecida com um ferro de engomar, que a tia comprou no Congo Belga.

Todos os dias, antes de escurecer, a tia ia a casa da avó, pegava na lanterna e colocava-a na nossa cozinha.

Acabado o jantar, ainda antes de sair da porta, acendia a lanterna e iluminava o caminho – e todas as pedrinhas da calçada e degraus – até à casa da avó. Aquilo parecia um arraial.

Para a tia era um ritual, para nós o fascínio era outro. Para começar, a lanterna levava oito pilhas grandes, bem arrumadinhas na caixa vermelha, tinha um foco orientável que fazia inveja a muitos carros e uma luz vermelha atrás que se acendia e apagava depois de alguns minutos ligada.

Aquele foco, numa casa onde só se conhecia o candeeiro a petróleo, fazia as nossas delícias. Quando a tia estava distraída, o nosso campeonato era, do balcão, apontar o foco ao Lombo para medir o alcance da luz…

Creio que a tia Maria devia achar piada ao nosso fascínio porque nunca disse que as pilhas se tinham gasto muito depressa…

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