OS PRIMEIROS GUARDA-CHUVAS DAS MENINAS

A tia Maria, no primeiro Natal que passou na Madeira depois do seu regresso do ex-Congo Belga, deu uma prenda às meninas mais velhinhas lá de casa – Ilda, Celina e Teresa: guarda-chuvas iguais, de cor vermelha e branca.

Celina, na altura com cerca de seis anos de idade, certamente por ter ficado muito empolgada com tal tesouro, é a única a lembrar-se deste episódio.

A tia falava das suas amigas do Congo, dos momentos de convívio social que com elas passava, da maneira correcta de estar à mesa, etc. Celina “bebia” estas palavras e ambicionava ser como elas.

O guarda-chuva foi o pretexto: na sua posse, ela também se sentia uma autêntica “senhorinha”. Por isso estava sempre à espreita de um motivo para o abrir e poder passear-se com ele. Bastava sentir uma leve brisa ou uns pingos de chuva para, imediatamente, pegar no guarda-chuva e passear-se nos caminhos estreitos da Lombada. De tal forma se sentia vaidosa que ia de chapéu-de-chuva aberto para a escola primária antiga, junto à casa do tio Pimenta, para fazer inveja aos catraios da Lombada que a frequentavam.

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