O DIA EM QUE A TIA MARIA REGRESSOU

Nos primeiros meses de 1961 a avó soube que a tia Maria tinha conseguido escapar à guerra civil no Congo Belga e que já se encontrava no Funchal, em casa de pessoas amigas.

Naturalmente que não compreendia as dificuldades que a tia tinha conseguido vencer, nem fazia ideia dos pesadelos e aflições por que passara. Queria era a tia Maria em casa.

Para a tarefa foi encarregado o pai que partiu para a cidade no “horário” da manhã e regressou, já ao fim da tarde, em companhia da tia.

Em casa havia ordens rigorosas para ninguém fazer má figura, estilo meter os dedos no nariz, chuchar no dedo ou muito menos fazer cara de envergonhado. No entanto, ninguém explicou que a tia era uma senhora fina da cabeça à ponta dos pés.

A tia, apesar de ter subido os degraus do Lanço com sapatinho delicado, estava bem disposta e os cumprimentos, salvo um ou outro pequeno amuo, decorreram bem. Os mais pequenos já tinha comido a sopa e faltavam apenas os grandes.

A tia olhou para a sopa grossa na panela grande e, àquela hora, confessou que não tinha muita fome. Toda a gente ficou preocupada mas as alternativas eram poucas até alguém se lembrar de um copinho de leite quente.

Para descanso de todos, a tia aceitou a sugestão e veio o copo de leite que, viemos a descobrir mais tarde, o mais importante era que fosse quente, bem quente.

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