AS SOPINHAS PARA A MARTINHA

O leite foi a grande base da nossa alimentação enquanto crianças e, possivelmente, também um aliado forte no combate às doenças de que todos nos safámos bem.

Por isso, o pai tinha sempre a preocupação de ter duas vacas para poder garantir o leite para casa e, quando tal não era possível, pedia a alguém, temporariamente, a cedência do precioso alimento.

Depois do leite vinha a sopinha. Mas, aqui o processo foi mais complexo e nem todos saborearam as mesmas sopinhas.

Para os mais velhos, a sopinha era uma semilhinha esmagada com o garfo mais um bocadinho de feijão e outros legumes escolhidos, na panela grande, com todo o cuidado pela mãe. Tudo bem esmagadinho e, depois, desfeito com uma conchinha de água da sopa. Assim, aos poucos, passava-se do leite para a sopa a sério lá de casa até conseguir comer as batatas e as semilhas do almoço.

Com Marta tudo mudou. A tia Maria, regressada do ex-Congo Belga, começou a fazer sopinha especial para as crianças e a Martinha foi a primeira a beneficiar com a revolução culinária.

A tia fazia sopinha enriquecida com os legumes da casa e passava tudo pelo “passe-vite” de dar à manivela. Esta máquina infernal de moer a sopa tinha uma mola forte que, de vez em quando, saltava, para desespero da mãe sempre com pressa.

Mas, além das sopinhas só para os pequenos, a tia também introduziu as papinhas branquinhas feitas com uma nova farinha especial que tanto bem fizeram à Martinha… e aos outros que se lhe seguiram!

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