A ÁGUA QUE BEBEMOS EM CASA

Durante anos e anos a água que bebemos em nossa casa vinha da fonte do Poço do Olheiro e devia ser milagrosa para nos proteger de tantos males, tal era a fama que tinha.

A fonte, hoje devidamente submersa, uma grande bica de pedra sempre a jorrar a aguinha fria que vinha de debaixo de chiqueiros, palheiros e terrenos de cultivo nunca teve grande fama, mas era a única disponível.

Para chegar a casa era recolhida em vasilhas e bilhas, que também serviam para o leite, e às costas ou nas mãos era o trabalho diário dos mais pequenos, vulgo canalha miúda.

Fresquinha era ela sempre porque era deitada numa púcara de barro instalada na cozinha num local sempre húmido; limpinha só de vez em quando porque nos dias de rega ficava igual à levada; protectora deve ter sido sempre porque não ficaram queixas apesar da presença de bichinhos conhecidos e desconhecidos que até os pequenos viam a correr na bica.

Lá em casa o líquido era precioso e toda a gente, mesmo sem avisos, sabia poupar. O caneco ia até ao fundo da púcara de barro e quando o som era mais seco lá vinha a sentença: “Quem é que ainda não foi buscar água?”.

Advertisements
Esta entrada foi publicada em Família. ligação permanente.

2 respostas a A ÁGUA QUE BEBEMOS EM CASA

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s