A VAQUINHA QUE DEU LEITE PARA TODOS NÓS

Palheiro das Varandas

A nossa vaquinha mais famosa tinha um nome que nunca consegui fixar porque o pai chamava Negra ou Vermelha conforme lhe apetecia.

Recordo que era pequena, tinha uns cornos que quase não cabiam nos palheiros, era mansinha e parecia que estava sempre com forme.

Para lhe abrir o apetite, dizia o pai, tinha quase sempre outra vaca ou bezerra por companhia. Assim a comida era bem aproveitada.

A vaquinha, segundo as contas do pai, viveu mais de 20 anos, conheceu todos os nossos palheiros desde as Varandas até às Ladeiras e todas crianças lá de casa se alimentaram com o seu leite.

O pai revelou que a conservou até os filhos dispensarem o leite porque, embora desse pouco, mantinha o leite sempre até perto de ter nova cria.

No final, o pai ainda conseguiu vender a vaquinha para… a Boaventura mas disse que nunca perguntou a ninguém se a carne era tenrinha!

Esta entrada foi publicada em Família. ligação permanente.

2 respostas a A VAQUINHA QUE DEU LEITE PARA TODOS NÓS

  1. Marta Garces diz:

    linda! é verdade – acho que vocês – as irmãs mais velhas – deixavam-me integrar essas conversas, pois tenho algumas remeniscências disso (a não ser que seja uma lembrança falsa, apenas de vos ouvir falar. De qualquer forma foi interessante.

  2. celina diz:

    Também quero falar deste palheiro das varandas!
    Foi-me dada uma ordem:
    – Celina vai tirar o leite à vaca das varandas!
    Porque ao pai a palavra “não” não existia, lá fui eu enchendo-me de medos em percorrer todo o caminho das varandas porque havia 1001 histórias de terror acerca do local (um bêbedo que se atirou por ali abaixo, o vento que nos atirava para a beira da encosta, etc.).
    Ao chegar a este palheiro, abri a porta e levei logo com o rabo da vaca na cara.
    Com um pé fora do palheiro puxei as tetas 2 ou 3 vezes e regressei a casa apenas com o balde pintado do leite mas leite propriamente dito nada:
    – Pai, a vaca hoje não deu leite nenhum!
    – E comida, deitaste-lhe?
    Foi a minha salvação para o pai não acelerar mais a conversa.
    No dia seguinte, lá estava o pai a dar massagens nas tetas da vaquinha, porque estavam todas encaroçadas com o leite do dia anterior. Foi a minha única experiência negativa!….
    PORTANTO, houve um dia que esta vaquinha não forneceu leite nenhum para a casa Garcês.
    TAMBÉM acrescento, que na parte de cima do palheiro, passávamos momentos engraçados, em grupo, íamos alguns fins de semana para lá contar os nossos segredos de juventude porque ninguém nos ouvia e passávamos muito tempo a contar os carros que passavam na estrada do tanque. Imaginem que para vermos carros tínhamos de vir aqui ou a beira do Miradouro (uma outra fazenda do pai). Estas pequenas explicações são paras os nossos netos e bisnetos se localizarem no tempo em que esta experiência foi vivida; não havia então estrada na Lombada e por conseguinte carros também não. Ver carros e contá-los à medida que iam aparecendo numa primeira curva do tanque já era para nós um DIVERTIMENTO! Como éramos sempre grupo de meninas ninguém sabia marcas, o que contava era apenas as cores ou quando muito reconhecíamos. AS ABELHINHAS (táxi) AS VARANDAS, MEU DEUS!! TANTO SUOR QUE O PAI DEIXOU NESTES SOCALCOS DE TERRA!!!!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s