A FESTA DE AVELINO E DA MÃE

Aniversário e 1ª Comunhão, 22-11-2010

Ana Canha Garcês e Avelino da Purificação Garcês

Staff

  • Orquestração (através de telefonemas diários com instruções): Manuel Garcês
  • Ideação, Organização, Catering: Teresa Garcês
  • Escravos e trabalhadores a soldo: Lili, Lita, Lizete, Marta e Avelino Garcês
  • Decoração (enchimento e escalada): Marta Garcês
  • Colaboração: Mª Cabral, Teresa e Maria Canhas
  • Quilometragem: Manuel Silva
  • Bom tempo: S. Pedro
  • Major Sponsor: Mãe Ana Garcês

Iniciação

No dia 20 e 21 chegaram as visitas mais aguardadas: Marta, Lita e Lili: mas não pensem os outros que era amor puro que nos aguardava, apenas estavam ansiosos pela mão de obra barata…. isto só visto, sim! Porque há filhos e filhos…

Mas para disfarçar a coisa, lá nos encaminharam para uma pequenina recepção … no lagar! Surpresa: havia um lagar lavadinho com um buffet de licores á nossa espera, primorosamente preparado com antecedência. Gostamos e agradecemos o trabalho de Lizete e Teresa.

Depois era arregaçar as mangas e começar a sério e nós assim fizemos: começamos por pôr o café e a conversa em dia e subimos ao primeiro café da manhã, não fosse o Sr. Avelino estranhar a nossa ausência.

O dia começou bem cedo… na véspera,  com duas iniciativas dignas de nota especial: a pré-cozedura de tudo o que havia de aparecer na mesa e a lavagem do terreiro – o que me abalou profundamente, pois dentro do leque de trabalho de escravo pensei que este já tinha caído em desuso, por ser desumano… Engano meu e foi esfregar, resmungar, esfregar mais e calar para no outro dia sujar!  O mundo está cheio de injustiças…

Lita fez paté de frutos do mar, com picles e salsa – uma delícia da mana prendada para os comensais caseiros em primeira-mão e deixamos o restinho aos convidados…

Manuel passou a semana a telefonar com indicações, conselhos e precisões do género:

  • O tempo vai estar bom – já vi na net hoje três vezes a temperatura para a Madeira no domingo (embora tenha chovido a potes no Funchal, não sei que tipo de pacto ele fez com S. Pedro – acho que regateou as missas que assistiu durante o seminário pelo bom tempo – pois na Ponta Delgada esteve sol durante o dia todo);
  • Mantenham o lume da rua sempre aceso, pois como já é Novembro, o quentinho da lareira sabe sempre bem;
  • Ponham as mesas espaçadas, para as pessoas circularem, comerem e conversarem…;
  • Comprem muitos aperitivos e como já é quase natal, arranjem bolo de mel também:
  • Estejam atentos à mãe – mandem-na passear, de preferência com Lili para pôr a conversa em dia, a tensão baixar e manter o stress em stand-by;
  • …….

Nota: Manuel,  a tua não presença física foi constantemente, insistentemente e exageradamente  (diga-se) notada. Agora tens um ano para te redimir, até os 85 Anos da MÃE.

A véspera acabou com chá e miminho à mãe.

No dia propriamente dito, levantamo-nos:

  • às 6h30 para ver o sol nascer;
  • às 7h00 para continuar a cozer feijão, carne, polvo, bacalhau, coelho…,
  • às 7h30 para dar banho e arranjar os “noivos”
  • às 8h00 para se arranjar e ir para a Missa, pois então!… Sim, porque uns precisam de mais sono de beleza do que outros, senão ficam irritadiços e estragam as festas e neste dia tudo tinha de sair bem!

Rumo à Missa:

  • O primeiro carro chegou, estacionou, e o pessoal entrou na igreja.

  • O segundo carro demorou um pouco mais porque Manuel tinha de conduzir devagarinho e a uma velocidade constante,  sem curvas repentinas e sem atenção à retaguarda…. pois lita precisou do espelho retrovisor para fazer a toilete… mas por fim também chegou ao adro da igreja, estacionou, mas entortou e entrou no… café!

Avelino fez a 1ª Comunhão numa Missa muito animada e cantada por criancinhas. Portou-se lindamente, pois estava muito bem educado pelas Irmãs. Recebeu pela 1ª vez a hóstia e o diploma do recebimento deste importante Sacramento, bem registado pelas câmaras telefónicas e fotográficas e aplaudido de pé por toda a comunidade presente, o que muito honrou a Família presente e a não presente através de informação desta narrativa…

Ainda no adro da Igreja de Ponta Delgada recebemos as últimas manifestações de Parabéns e respostas ao convite e voltamos a casa, onde nos esperava…  mais trabalho!

Preparativos finais da Festa

Marta encheu 100 balões 8embora ninguém tenha registado o feito e só apareçam 3 balões cheios), com 2 intervalos para abastecimento e fez uma porta de fitas para a qual teve de montar e descer um escadote 500 vezes – é obra! só uma pessoa com prática de exercício físico consegue…

Teresa, num vai-e-vem infernal, voltou a pôr as panelas ao lume para a cozedura final de tudo o que havia para cozer e coordenou a equipe multidisciplinar de cozinheiras, decoradoras e empregadas de limpeza, formada pelas… irmãs, pois claro! e tudo a marchar à sua frente, senão havia… porrada!  Há gente fantástica, não há? É preciso saber coordenar para que tudo se apresento coeso e com princípio, meio e fim; imaginem chegarem os convidados e não haver talheres, por ex., ou comida suficiente…  Por isso há que reconhecer quem é bom: Teresa! Bem hajas, mulher! E que Deus te dê tanta “genica” como aquela que tens tido até agora.

Ilda e Heliodoro chegaram com a filha Lucy e o novo rebento da família: o Tristan que se portou lindamente o tempo todo, apesar da sua tenra idade (4 meses) e do barulho – só não gostou da feijoada.

.

Festa

A partir das 13 horas os convidados foram chegando, pois segundo a orgânica da coisa, também traziam comida: uma amassadura de pão  e coelho com caril – Obrigada! Sr. Horácio, esposa e mãe pelo pão delicioso, que desapareceu num ápice e não sobrou nada para viajar até o Porto… embora tenha havido a promessa.

E apareceram também umas mal assadas que fizeram crescer água na boca, embora os estômagos já estivem…. a mei)

Às 14h chegou uma banda de surpresa, composta por violas, rajão, acordeão, castanholas, pandeireta e canto, que animou tudo e todos por ser inesperada, por se apropriar muito bem à festa em questão e porque pôs toda a gente a dançar bem coreografada, pois um dos elementos da banda também era bailarino e achou por bem por ordem na descoordenação reinante.

Teresa, teve um momento de amuo e resolveu hibernar para poder comer em paz.

A mãe esteve imparável, recepcionando os convidados e CALMA.

Às 16h chegou uma convidada muito especial – pela beleza, pureza, simplicidade e personalidade – a D. Lurdes Faria, com uma rosa vermelha e o gosto de estar a responder positivamente ao nosso convite. Foi muito apreciada pela mãe e por nós. A saída ela acrescentou: eu vim!

As Irmãs do Bom Pastor,  que preparam Avelino para a 1ª comunhão também compareceram-lhe e ofereceram um lindo impermeável azul, que a mãe gostou muito.

A D. Severina, madrinha de Avelino também fez uma aparição fugaz – estava a matar o porco e não podia sair de casa – mas muito querida.

Às 17 horas ainda chegavam convidados – o Sr. Padre do Livramento e as irmãs – que trouxe mais uma viola, acompanhou o grupo praticante em alguns trechos musicais e acto contínuo, tratou de preencher o vazio da barriga…, pois senão muito mais comida sobraria para Lili nada fazer durante a semana … e logo ela que estava capaz de cozinhar um porco ou dois … A propósito: a menina lili, não sei porque inspiração divina ou diabólica, achou por bem fiar de guardiã à feijoada…

 

Às 18h partiram-se os bolos: do aniversário da mãe; da 1ª comunhão de Avelino a que se juntou um terceiro de uma convidada jovem que fazia 8 anos e que apresentou um bolo de bolacha que fez as delícias de todos, pois há muito que na casa Janes impera o gosto do irmão mais velho por bolo preto, esquecendo o gosto dos outros 13 irmãos por outras iguarias, nomeadamente bolo de bolacha que Lita tão bem sabe fazer.

Por fim, começaram as despedidas pela ordem de chegada e com uma originalidade madeirense – a preparação dos “panelinhos”para o dia seguinte.

A mãe ainda preparou um discurso, mas alterações de última hora ditaram a sua não apresentação; no entanto não queria privar os ausentes de tal mensagem e por isso o transcrevo:

Meus filhos e amigos,

É com muito gosto que os recebo a todos na minha casa, celebrando comigo os meus 84 Anos e a 1ª comunhão do meu filho Avelino.

É uma honra enorme já que levou 84 anos a se formar, pois é a primeira vez que celebro o meu aniversário com amigos, vizinhos e família desta vez em maior número, pois no mês de Novembro nem sempre é fácil deixar filhos, escolas e trabalho para se deslocar à madeira.

O meu aniversário e o da minha irmã Maria – fazemos anos no mesmo dia – têm sido celebrados com a família que está na madeira e que nunca se esquece de arranjar um ou mais presentes, um almoço festivo e estar presente nesse dia, para além dos telefonemas dos filhos que não podem estar cá. Este ano é diferente o que me deixa cheia de orgulho dos filhos que organizaram esta reunião e dos amigos que aceitaram o convite para cá estar.

Este orgulho é redobrado pelo facto de Avelino ter feito a 1ª Comunhão, pois é um sinal dos tempos e mentalidades que mudaram para melhor, já que somos todos filhos de Deus, sem variantes, no que diz respeito ao recebimento de sacramentos. Acho que ele tem andado feliz com os preparativos, com as conversas com as irmãs,  com o Sr. Padre e com a cerimónia de hoje.

Todos os presentes saberão que estou a recuperar dum problema de saúde e queria aproveitar para agradecer todo o apoio moral e físico demonstrado em manifestações de preocupação, interesse, de permanente incentivo e de júbilo com as melhoras – hoje vou esquecer o excesso de zelo de alguns filhos que às vezes não me deixa respirar…

84 anos é a vida de muitos. Eu espero voltar a ver os feijões crescerem, o cebolinho vingar, a erva tomar conta da rama – pois é sinal que estou cá para a mondar e toda a vida que me rodeia se renovar uma e muitas vezes mais até nada fazer sentido cá na terra e aí sim juntar-me à minha mãe, irmãs, marido e sobrinhos com a sensação de dever cumprido e com a consciência que um ciclo na terra se fechou e outro se abrirá no céu.

Estou profundamente feliz, agradecida e espero que tenham tido uma boa tarde, assim o almoço elaborado pensando em vós e o programa agendado vos tenha agradado.

Muito obrigada!

Ponta Delgada, 20 de Novembro de 2010

Insólitos:

  • Marta (msg a lita): vem sem meias.

Lita: tás parva, com 9 graus ?!….

  • Manuel Silva: Teresa já está electrónica…
  • Luísa (padeira de S. Vicente): Não leva o bolo preto do seu irmão?
  • Teresa: chuva a Sul, bom tempo a Norte
  • Ricardo (do café das pedras): eu deixei um casal de estrangeiros no café, com uma garrafinha de vinho branco, aperitivos e disse-lhes: fiquem aqui,  que eu vou à festa da D. Aninhas e já volto…

Inês: o pior é que ainda não pagaram…

  • Avelino pegou num pão e foi oferecer ao padre, depois voltou atrás, pegou noutro e ofereceu ao maestro da banda.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Não classificado. ligação permanente.

Uma resposta a A FESTA DE AVELINO E DA MÃE

  1. celina diz:

    Um especial obrigada a todos os que se disponibilizaram em tempo, dinheiro, atenção ou quaisquer outras ajudas para oferecer à Mãe e Avelino um belo momento das suas vidas. As fotografias e os textos são elucidativas de tal ambiente. Marta, fizeste uma boa sequência de imagens e descrição de tudo. Parabéns!! Não vi registos do trabalho que está por detrás, mas sei muito bem que foi enorme.
    Beijihos

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s