O CANTINHO DA NOSSA FIGUEIRA GRANDE

A figueira grande, grande que fez as delícias da nossa meninice, foi a primeira da sua espécie a ser plantada na Lombada. Ela foi o nosso local escolhido para muitas brincadeiras e, até, aventuras, que nem sempre acabavam bem.

Havia galhos para todos. Os mais destemidos procuravam os figos nos ramos altos, os mais pequeninos e saborosas; outros contentavam-se em esticar a mão ou apanhar, depois de muito barulho, os que eram atirados lá de cima.

Todos os anos a figueira tinha direito a “tramela” nova e cada vez mais engenhosa para espantar os melros. Altino foi o grande especialista em descobrir os primeiros figos de cada ano.

O pai gostava da figueira e não perdoava um galho partido. Um dia chegou a casa já noite e foi visitar a figueira. Ao saborear um figo, uma vespa que ali se perdeu no mel, transformou-lhe a língua num ovo.

A figueira era uma árvore gigante mas, um dia, começou a morrer e quando o pai decidiu que a tinha de cortar, Altino tentou abraçar o tronco a chorar.

Nessa altura já havia outras ao lado… mas eram mais pequenas e nunca cresceram como aquela: com dois grandes ramos rentes ao chão adequados para servir de baloiço e escorrega a todos nós.

2009-05-01 Madeira 148

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2 respostas a O CANTINHO DA NOSSA FIGUEIRA GRANDE

  1. Ana Pereirinha diz:

    E O TOMBO QUE A LITA DEU, AO SER MAIS TEIMOSA QUE A FIGUEIRA? Catrapisquei o olhos aos melhores figos, assim pr’ó sequinho, cheios de mel e pinga e… vim a pique, em queda livre, mas com os figos agarrados… o pior foi “adespois”…

  2. maria c garces diz:

    Donde vem todo este sufoco e emoção após leitura deste artigo tão pormenorizado e familiar? Já sei!
    -Porque a figueira dá o fruto mais apetecido de Celina.
    -Um dia subi ao cimo da figueira da Avó para ler e reler a primeira carta de namorado e fui descoberta pela Avó que, quase sempre, atravessava a fazenda muito silenciosa e, com uma doce voz, disse:«Ó seu precepuiço vem já para baixo!»
    – Lembram-se também que esta figueira dava uns ramos ladrões e com os gomos interiores fazíamos todas as figuras do presépio? Era nos serões próximo ao Natal que a mãe participava connosco na única brincadeira criativa e familiar fazendo e orientando os bonecos do presépio… é que nunca tinha tempo para nós.

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