HISTÓRIAS DO NOSSO BISAVÔ MATERNO

Machico800

Machico (1880) - foto in http://aguadepena.blogspot.com

Nunca ouvimos grandes histórias dos nossos avós e, muito menos, dos bisavós. No entanto o nosso bisavô materno tem uma história de se lhe tirar o chapéu.

Primeiro, não nasceu em Ponta Delgada, nem muito menos na Lombada que, no século dezoito, deveria ser habitada por meia dúzia de pessoas, todas afastadas umas das outras.

O nosso bisavô nasceu lá para as bandas de Machico e deve ter demorado uns anos a chegar à Lombada. Deve ter sido um verdadeiro peregrino. Esse percurso foi a sua escola aventureira. Tudo o indica, deveria ser uma pessoa muito inteligente.

Na Lombada conheceu a nossa bisavó e devem ter vivido felizes ali para as bandas da Chamusca onde habitavam os nossos queridos e simpáticos Morganhos.

Digo, “devem ter vivido felizes” – porque, em pleno século dezoito nem se preocuparam em casar para calar as bocas dos vizinhos – pelo menos até o nosso avô ter feito dezoito anos. Nessa altura o nosso querido bisavô resolveu partir para nunca mais dizer onde se encontrava.

O nosso avô tomou conta dos irmãos e deveria ser também uma pessoa muito esperta para a altura, dotado de mãos habilidosas. Conseguiu criar um espírito de união e entreajuda na família que perdurou.

Quando casou com a avó era já possuidor de um invejável pé-de-meia a que poucos anos depois acrescentou a construção da casa toda em pedra. Infelizmente a vida não o poupou e, aos 31 anos morreu, um ano depois da alegria de ter visto nascer um rapaz.

Com três raparigas e um rapaz, a avó contou sempre com a ajuda da família em todas as coisas. A tia Laurinda estava sempre atenta e fazia os vestidos das meninas; a tia Adelaide e os tios do Funchal tudo fizeram para garantir que ninguém passasse fome e os terrenos não fossem todos retirados pelos senhorios. Até uma escritura da casa foram fazer à Ponta de Sol.

O avô deixou a casa coberta e fechada; os mestres que o ajudaram perdoaram a dívida, mas a mãe acabou por ir trabalhar para o Funchal para pagar tudo a um deles que apesar de ter perdoado não esquecia.

Nessa ida para o Funchal a mãe ficou a trabalhar em casa de um senhor banqueiro que tinha duas filhas. Foram elas que começaram a ensinar a mãe a ler… E se a mãe tivesse ficado no Funchal teria ido longe nesse campo, diziam elas.

Pensando bem, foi esse espírito de entreajuda que salvou a família nas suas maiores adversidades. O resultado de tudo isso foi que herdámos, como legado do nosso avô materno, uma atenção e estima, traduzidas em mimos e simpatias dos nossos tios e primos da Lombada, da Boaventura e de Santo António, no Funchal. De Machico é que nunca soubemos nada!

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