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No palheiro da Ribeira ainda se sente a memória e os trabalhos do pai. No fundo do palheiro, agora protegido pelas silvas, ainda há restos da última erva que o pai cortou e guardou para o Inverno.
Mais estranha ainda é a sensação que se sente ao recordar os dias ali passados a mondar a erva, cavar, plantar a terra, regar e acarretar tudo às costas. Era ali que se plantavam as últimas semilhas, parte para semente do ano seguinte.
Sensação estranha, por vezes agradável, era essa semana em que toda a nossa casa seguia para a Ribeira. Lá o sereno desaparecia mais tarde, ouviam-se as enxadas a bater na terra, o ruído da água, o sol a desaparecer mais cedo e os homens tinham sempre o garrafão um pouco à frente das enxadas.
O pai contava os almoços que passavam no caminho a espalhar cheiro a comida acabada de cozer e sabia sempre que era o primeiro. Quando a mãe chegava com a bandeja de vimes da nossa comida, trazia sempre um relatório das dificuldades para ser a última (segundo o pai). Era quase sempre a lenha verde, os pequenos para arranjar e a casa para destinar.
Às vezes, na bandeja, vinha também, no meio das semilhas quentes, uma tacinha com carne de porco bem cozida para a banha derreter até passar a molho. Aquilo sabia tão bem depois de uma manhã a cavar…
Avelino não poupa nos cuidados com as semilhas de ril. Pudera! São as preferidas dele e não só. O sabor das semilhas de ril ficou-nos na boca. Os tempos mudaram e as semilhas, pequeninas e rijas, foram trocadas por outras variedades mais produtivas, brancas ou vermelhas. A mãe resolveu recuperar a semente perdida e Avelino, quando recebeu ordem para as cavar, ficou tão entusiasmado, que queria fazer tudo de uma só vez…








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