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A festa do Monte mobiliza sempre muita gente e, este ano, a nossa família esteve muito bem representada: a mãe, Celina, Avelino, Teresa, Manuel, Sérgio e, pela primeira vez, a Lúcia.

A mãe chefiou o grupo, que subiu a pé, como manda a tradição de Teresa, do Livramento até à Igreja de Nossa Senhora Monte. Muita conversa pelo caminho, sempre a subir, misturada com algumas lamentações já conhecidas.

A caminhada foi longa mas, pelos vistos foram os mais novos que revelaram sinais exteriores de cansaço. Tadinhos! Pelo menos é o que revelam as imagens da mãe que passaram no telejornal da RTP Madeira, num breve apontamento sobre a protecção de nossa Senhora do Monte.

Junto às velas acesas, sinal da devoção, a mãe revelou que já sentiu essa protecção de Nossa Senhora. Pois, com oitenta e dois anos e a cuidar de um filho com cinquenta e cinco, muito embora tenha muitos filhos, só por graça divina… E o sorriso da mãe não engana!…

O Jardim da Paz encontra-se situado nos terrenos luxuriosos da Quinta dos Loridos, localizada no Bombarral, apenas a alguns quilómetros a nordeste de Lourinhã. O jardim ocupa cerca de 35 hectares dos 100 hectares da propriedade. Com cerca de 6000 toneladas de mármore e granito, budhas, lanternas, estátuas de terracotta, e várias esculturas que foram colocadas cuidadosamente entre a vegetação. Este espaço verde com o seu lago central é um local de paz e tranquilidade, onde convidamos a descobrir os vários caminhos, ou apenas relaxar na relva circundante ao lago. A escadaria central é o ponto focal do jardim, onde os nossos budhas dourados, lhe dão calmamente as boas vindas. Com 700 soldados de terracotta espalhados no jardim, alguns estão enterrados da mesma forma, como foram colocados na china há 2200 anos. São pintados à mão e cada um deles é único. No lago podemos observar os peixes Koi, e os dragões esculpidos a erguerem-se da água. (in http://www.berardocollection.com)

Da visita realizada no dia 11 de Julho, à Quinta dos Loridos (Jardim Budha Eden), aqui fica um video para aguçar o apetite a quem ainda não o foi ver.

E já agora, dê uma vista olhos pela Quinta Monte Palace no Funchal:

Em casa de Teresa… a vajinha (feijão verde), as batatas (batata doce), as semilhas (batatas),  as pimpinelas (chuchu) e  o milho cozido: o almocinho tradicional com vista para a cidade em vez da bandeja de vimes.

A mãe não esquece as flores que a tia Maria mais gostava e, enquanto as apanha vai sempre lembrando as preferências da tia. Quem observar o cuidado da mãe não pode deixar de sentir a importância da colaboração das duas na nossa formação. Interessante, também, é verificar como foi possível essa colaborção sem nunca confundirem os seus papeis.

Teresa e a mãe experimentaram a cadeira do poder das flores da Madeira. Teresa, sempre apressada, nem deixou a máquina focar a sua perfeita combinação de cores e harmonia com as flores. A mãe, embora mais calma, também não parece muito animada. A cadeira parece ter as costas muito largas!…

Parece bilhardice, mas não é verdade. Estão apenas a elogiar a rica toalha bordada de Teresa e a recordar os tempos em que se bordava a sério no campo. A mãe levantava-se quase todos os dias mais cedo para bordar um bocadinho. Era um ritual e quase uma obrigação nos tempos em que nem electricidade havia. Ainda recordo a satisfação da mãe quando ia ao Funchal, ou nas primeiras saídas da Madeira, a aproveitar a luz eléctrica para colocar o seu bordado em dia.

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Teresa anda toda vaidosa com o vaso de orquídeas quase brancas que ostenta junto à grande janela da sala. Este ano foram sete hastes… O vaso deu tanto nas vistas que teve direito a estagiar na Igreja do Livramento durante três meses… Agora, mais abençoado, regressou a casa para repousar… até à próxima Primavera.

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Teresa e Manuel reuniram a família para receber em sua casa a visita do

Divino Espírito Santo… com bandeiras, “saloias” modernizadas a cantar afinadinho e em português com um cestinho de vimes para guardar os bombons… só faltava o Sr. Padre. Os leigos tomaram conta da incitativa.

Antes houve almoço de família com “espetada do lombo” escolhida por Manuel depois de consultar três talhos.

A mãe estava satisfeita. Na igreja a sua presença foi assinalada porque era o Dia da Mãe e, em casa de Teresa, teve oportunidade de explicar as tropelias da filharada toda presente na grande foto da nossa família. Fiquei com a impressão que a mãe só tinha olhinhos para as meninas lá de casa… Eram todas muito prendadas!

MJ

Com as «saloias» e com a toda a Madeira em Festa, vamos também cantar:

«Desce à terra luz bendita
vem o teu povo animar
as nossas almas visita
nossos passos vem guiar.»
——-
«Vinde Espírito Santo
às nossas almas dar luz
para que nós triunfemos
lá na Pátria com Jesus».

A devoção ao Espírito Santo na Madeira

A devoção ao Espírito Santo na piedade popular madeirense enraíza na mesma descoberta da ilha em 1420, e no início do povoamento, por meados de 1425.

O Espírito Santo recebe a primeira manifestação de fé do descobridor. Ao fazer o reconhecimento da zona de Câmara de Lobos, Zarco terá já demarcado no próprio terreno o espaço dedicado à futura construção duma Capela em honra do Espírito Santo, ermida que ainda hoje constitui o centro das manifestações devocionais e da mesma Festa do Pentecostes, nesta comunidade paroquial. Também é vulgarmente conhecida como Capela da Imaculada Conceição.

Na primeira igreja construída em honra de nossa Senhora da Conceição, que o vulgo, pela sua localização, chamou do Calhau, o mesmo Zarco dedicou uma capela interior ao Espírito Santo.

Com o desenvolvimento da Madeira e o seu crescimento populacional, outras capelas Lhe foram dedicadas. É orago da paróquia da Calheta.

Recebeu devoção especial numa capela erigida em sua honra no Caniço, no extremo leste da Capitania do Funchal. Quando foi necessário construir uma nova igreja, nesta localidade, por se encontrar em ruínas a primitiva ermida, o Espírito Santo passou a ser co-padroeiro conjuntamente com Santo Antão, que era titular de uma outra capela erguida pela população na margem esquerda da mesma ribeira, mas pertencente já à Capitania de Machico. Ainda hoje se mantêm dos dois titulares, com fortes expressões de fé.

Na paróquia da Ponta do Sol, João Esmeraldo erigiu uma Capela em honra do Espírito Santo, a qual foi dedicada pelo Bispo em 1508, e em 1527, instituiu um morgadio com a mesma invocação na Lombada da Ponta do Sol.

No convento de São Francisco, no Funchal, demolido no século XIX, havia uma capela dedicada ao Espírito Santo. O mesmo acontece no Convento de Santa Clara, assim como na matriz de Santa Cruz e na de Machico. A Capela da Encarnação, em Santa Luzia guarda relação com o Espírito Santo sob cuja acção o Verbo se fez carne.

No Porto Santo, a antiga Capela do Espírito Santo deu origem a uma nova paróquia em 1960 e nela tem ainda a sua sede.

A grande devoção do povo madeirense ao Espírito Santo manifesta-se também nas pinturas dos seus símbolos, as línguas de fogo e a pomba que embeleza-ram as igrejas e capelas.

Concomitantemente, foram criadas pela diocese além, confrarias e irmandades do Espírito Santo, com o objectivo de manter e assegurar a realização de actos de culto ao Paráclito divino.

Com Gonçalves Zarco, vieram também para a madeira os frades franciscanos, que definitivamente, também tiveram uma influência decisiva nesta particular devoção.

As manifestações exteriores de devoção ao Espírito Santo de maior expressão, são as «Visitas Pascais» ou vulgarmente denominadas «Visitas do Espírito Santo», que chegaram até aos nossos dias. Elas realizam-se entre o II Domingo da Páscoa e a solenidade da Ascensão. Entre os seus objectivos, está uma recolha de fundos para a Festa do Espírito Santo, para o «Bodo» ou a «Copa», para ajuda aos mais carenciados, ou para a fábrica da igreja, uma visita e bênção às famílias, levando até elas a presença da Páscoa.

Para o povo madeirense em geral, esta visita constitui uma verdadeira «Festa», pois reúne-se toda a família, para receber «O Espírito Santo», que vem abençoar a casa, a família. Os familiares mais chegados vêm de longe, convidam amigos e vizinhos, e todos podem participar da «Festa»: refeição melhorada, bolos, doces, bebidas licorosas, etc. Respira-se, normalmente, um espírito de fé, pois a visita é recebida com muito respeito e muita dignidade, e as ofertas costumam ser substanciais.

Na zona urbana, e onde se construíram aglomerados habitacionais, para onde emigram famílias não enraizadas na comunidade, sente-se, evidentemente maior dificuldade nesta acção pastoral.

A Visita Pascal é, normalmente, presidida pelo Pároco, ou seu representante, que procura alternar em cada ano, até visitar toda a paróquia, que vai acompanhado por pessoas, homens ou mulheres, revestidos com opas vermelhas. Uma leva a Bandeira e outra o pendão com as Insígnias do Espírito Santo, que são beijadas pelos visitados, e ainda outra leva a bandeja ou «coroa» onde são depositadas as ofertas. Por vezes também ainda vai o ceptro, reminiscências das primeiras iniciativas que aproveitavam a Festa do Pentecostes, para demonstrar que o Espírito Santo é, de facto, o «Pai dos Pobres».

Normalmente também vão duas «saloias», trajando de vermelho ou o traje típico regional, todas enfeitadas de ouro, as quais vão cantando os versos tradicionais do Espírito Santo. Podem ir ainda um ou dois tocadores de instrumentos regionais, sobretudo «Braguinha» e «Machete”, os quais podem ou não ser remunerados.

Manuel Gama, in http://www.agencia.ecclesia.pt

Como n~ºao poderia deixar de ser, o 54º Cortejo da Festa da Flor foi um espanto, uma maravilha…

TAPETES DE FLORES

O CORTEJO

"Lapinha" - presépio tradicional na ilha da Medeira

"Lapinha" - presépio tradicional na ilha da Medeira

No Funchal a festa foi mais à moda antiga. A mãe passou o Natal em casa de Teresa e a festa meteu Missa cantada, romaria organizada a preceito e muitos doces.

A grande novidade foi a espectacular participação de Teresa na representação do Nascimento do Menino de Jesus no papel de Nossa Senhora. Tudo correu na perfeição até porque o menino mamou antes da Missa e, por isso, nem chorou. Um êxito a merecer a atenção dos “espertos” na matéria e, certamente, uma candidatura a próximas iniciativas.

O Tio Manuel Ferreirinha fez de pastor e cantou tanto que ficou com a voz rouca. Avelino andou encantado com tanta festa.

Agora ficamos à espera das notícias sobre a passagem do ano…

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Lapinha. É com este termo que na Madeira se designam os «presépios», que desde séculos tão generalizados estão entre nós. Julgamo-lo uma palavra peculiar deste arquipélago. Deve ser o diminutivo de «lapa» com o significado de furna, gruta ou cavidade aberta em um rochedo, por analogia ou semelhança com o local do nascimento do Divino Redentor. É possível que em outros tempos conservassem essa analogia ou semelhança, mas, ao presente e na generalidade, as «lapinhas» madeirenses são armadas sôbre uma mesa, tendo como centro uma pequena escada de poucos decímetros de altura, de três lanços contíguos, e no topo da qual se coloca a imagem do Menino Jesus. Em todos os degraus da escada e em torno dela estão dispostos os «pastores» e vários objectos de ornato, por vezes bem estranhos e sem próxima afinidade com o resto do presépio. Em obediência às condições do meio, terão algumas características próprias, como sejam as ornamentações com os ramos do arbusto «alegra-campo» e dos fetos «cabrinhas», que lhes imprimem uma feição pitoresca e alegre. Terão uma certa originalidade os chamados «pastores», isto é, pequenas figuras de barro de grosseiro fabrico local, que quási sempre não representam pastores ou zagais mas indivíduos das várias camadas sociais.

Ainda são muito vulgares as «lapinhas» com as chamadas «rochinhas», consistindo estas no simulacro de um pequeno trecho de terreno muito acidentado, feito de «socas» de canavieira e que geralmente conserva na base uma pequena «furna» representando o presépio em minúsculas figuras de barro.

Existiam, mas hoje são já muito raras, estas mesmas «rochas», talhadas em maiores proporções e em que se viam igrejas, estradas, pequenas povoações etc., embora sem grande harmonia no conjunto, mas oferecendo um certo e original pitoresco. Vid. «Natal».

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Natal. As festas do Natal duram na Madeira desde o dia em que se comemora o nascimento de Jesus até o dia de Reis, havendo durante êste tempo muitos folguedos, descantes e outras manifestações de regozijo, que poetizam esta bela quadra do ano. As refeições são melhoradas, e rara é a casa onde não aparecem a carne-de-vinho-e-alhos e os bolos de mel, assim como outras iguarias que são desconhecidas durante o resto do ano. Os templos enchem-se de povo por ocasião da missa do galo, em que a imagem do Deus-Menino é muitas vezes dada a beijar, e para completar as festas e solenidades do Natal, há ainda os presépios ou lapinhas, alguns deles verdadeiramente notaveis pela riqueza e variedade de seus adornos. Não há muitos anos, era uso nalgumas freguesias da Madeira «pensar» a imagem do Deus-Menino na noite do Natal, isto é levá-la e vesti-la sôbre um estrado colocado dentro da igreja, sendo êste serviço prestado sempre por uma rapariga, mas tal uso cremos que desapareceu, assim como um outro que consistia em oferecer ao mesmo Deus-Menino na referida noite, varias produçcões da terra. Rapazes e raparigas, vestidos com trajos antigos, conduziam piedosamente ao templo as suas ofertas, anunciando em seus cantares, por vezes muito harmoniosos, a quem eram destinadas as mesmas ofertas.

O velho habito de consagrar todo o dia de Natal à vida e festas recatadas da familia tende a desaparecer, e as ruas da cidade, desertas outrora naquele dia, apresentam-se hoje quasi tão movimentadas como na primeira, segunda e terceira oitavas. É, no entretanto, durante estes três dias, que o povo continua a santificar não obstante ter sido dispensado disso pela Igreja, que principalmente se realizam as visitas e os cumprimentos de boas festas, os quais entre o povo rude são acompanhados quasi sempre de abundantes libações, descantes e outros folguedos, que se estendem até horas mortas da noite. Desde a vespera do Natal até á Epifania, estrugem por toda a parte as bombas e busca-pés, com grave risco não só dos transeuntes, mas também daqueles que os atiram, muitos dos quais tem sido vitimas das suas loucuras e imprudencias.

O habito não muito antigo, de despedir o ano velho e receber ao ano novo com toda a especie de fogos de artificio, é aquêle que mais chama a atenção dos forasteiros, sendo na verdade um espectaculo imponente e belo o que oferece a cidade do Funchal e seus suburbios ao avizinhar-se a hora da meia noite do dia 31 de Dezembro, quando por tôda a parte se acendem os fosforos de côres e sobem aos ares os milhares de foguetes e granadas com que os madeirenses festejam a passagem dum para outro ano, na esperança de que aquêle que principia lhes traga tôdas as venturas que lhes negou o que vai sumir-se na voragem dos tempos. A noite de 31 de Dezembro é muito animada no Funchal, sendo a cidade percorrida por grandes ranchos que se dirigem para varios pontos dos arredores, ao som de machetes e violas, para daí contemplarem os festejos da meia noite.

É no dia 7 de Janeiro, após os Reis, que se desmancham as lapinhas e tudo volta á normalidade, mas algumas pessoas conservam os presepios armados até o dia 15, festa de Santo Amaro, que é, na opinião de alguns, quando devem ser dadas por findas as manifestações de regozijo do Natal, tanto do agrado do bom povo madeirense.

Vid. Lapinha.

Fernando Augusto da Silva, Elucidario Madeirense , vol. II, Funchal, 1965, pp.211, 406-407

in http://www.ceha-madeira.net/