You are currently browsing the tag archive for the 'Casa' tag.

A nossa casa sempre esteve rodeada de flores.


Quando o pai comprou a casa à família dos Bacalhaus, havia um jardim grande (coisa rara para a época) junto ao caminho, ao lado de um grande damasqueiro.
Foi, durante anos, o nosso primeiro cenário para as fotografias e um dos locais privilegiados para as rosas e gereberas cobiçadas para os “enfeites” da igreja.
O pai queria vinho e fez a latada. A mãe protestou e a vinha nunca cresceu bem em cima do jardim. O pai acabou por se render…
Depois, o jardim cresceu, alargou-se e até foi ocupar o lugar da vinha com a plantação de estrelícias que, hoje, dá as boas vindas a quem entrar em casa.
Hoje, já não há cafeteiras, latas, penicos velhos com flores e, muito menos, a ordem diária para regar as flores.
Há vasos grandes e pequenos com plantas multicolores que decoram a entrada da casa. Uma roseira grande no balcão com flores quase todo o ano (o pai dizia baixinho para não se estragar senão a mãe brigava!) e os vasos com fetos e avencas que a mãe nunca, nunca dispensa.

(MJ)

Num dia de Primavera na Lombada

Os fins da tarde no Verão na nossa casa são quase sempre de encantar.
No Verão, as águas do mar, do Porto de Moniz ao Seixal, ficam douradas e parece que os raios de sol entram pela nossa casa dentro, a prender a nossa atenção.
Até a anoneira, em frente da casa, e os arbustos estão proibidos de crescer para não ofuscarem o sol poente.
Na Primavera, o sol não tem o mesmo esplendor. As cores são um pouco mais sombrias mas é sempre a nossa casa ao pôr-do-sol.

(MJ)

Em dias de nevoeiro a nossa casa fica diferente. Até a panela da sopa deita mais fumo.

Não sei o que acontece, mas, quando o nevoeiro começa a descer da Paçada para baixo e envolver toda a Lombada parecia que algo diferente iria acontecer.

Contavam-se histórias de pessoas aflitas nas serras nos tempos das idas à feiteira, aos paus de urze ou ao mato-de-bardo para as vinhas.

O certo é que sempre houve a tentação de evitar o nevoeiro com a lenga-lenga:

Nevoeiro, nevoeiro!
Nevoeiro corriqueiro,
Vai à serra,
Ao teu palheiro.

(MJ)

A mãe tem uma horta de verdade. Não são aquelas amostras de plantinhas alinhadas só para as fotos do blog.

A horta da mãe começa na banheira de Ilda, transformada em maternidade, passa pelas semilhas, batatas doces, feijão com canas e sem canas, milho, abóboras, inhame, cebolas, ervilhas, couves… e até galinhas cultas e muito atentas ao que se passa em redor.

Na horta da mãe passa-se, num ápice, da terra à panela sem passar pelo supermercado.

(MJ)

A Tia Maria tinha um estilo reservado só mesmo para ela.

Vestia tecidos leves, cores bem combinadas, tudo parecia facilitar o passinho ligeiro e a resposta sempre pronta quando algo lhe desagradava.

Quando regressou do Congo trouxe o seu estilo e soube sempre geri-lo sem nos passar cartão.

O seu quarto, a sua sala vão permanecer na memória de todos. Sobre a cama está uma grande novidade da moda há décadas e a caneta que trouxe do Congo. Em frente ao espelho uma base para flores: uma estreia absoluta na Madeira.

(MJ)

A tia Maria tinha uma hortinha que dava pimpinelas para comer e até vender. Chegou a ter vinha, uvas americanas oriundas da parreira da avó.

Mas o emblema da casa eram os antúrios à saída da porta da cozinha. Os vasos estavam sempre alinhados e as flores bem regadinhas.

Junto ao muro, onde agora, cresce o maracujaleiro, havia um pequeno canteiro com salsa, abóboras, rosas, orquídeas… quase não se via o muro branco. era uma pequena floresta. Chegou até a nascer um abacaterio na esquina que ia rebentando com os muros.

Agora, graças aos cuidados de Heliodoro esperamos que cresçam rápido as novas abóboras oriundas da África do Sul e, sobretudo, os novos maracujaleiros ingleses (amarelinhos, doces e perfumados) nascidos lá na Lombada.

(MJ)

Era (é) assim a ilustre casa da tia inesgotável em disponibilidade, simpatia e atenções, bolo de cenoura, chá, bolachinhas e o licor, aquela bebida delicada tão bem confeccionada pela tia para os inesquecíveis e divertidos serões, … o relógio no fim do corredor com capacidade para acordar até os vizinhos, o dijuntor na cozinha que se ligava com um estrondo, a mesa sempre prontinha para uma refeição diferente da sopa e semilhas, o autoclismo modernaço há quase 50 anos que se podia puxar sentado ou de pé conforme a vontade e o tamanho do cliente….