O lagar era a verdadeira sala de visitas do pai. Por ali passavam os seus convidados mais ilustres, os amigos, as visitas do dia a dia e, por vezes até, quem seguia pelo caminho e, simplesmente, lhe apetecia mais um copinho.
Tudo ali foi pensado e engendrado por ele a seu gosto. Lagar de um lado, pipas do outro e o meio livre para a conversa.
Ali se passavam em revista os sermões da Igreja, as ordens dos senhorios com a imitação das suas vozes, a crítica social, muitas recordações das caminhadas pelas serras e veredas e, inevitavelmente, as lamentações relativas aos preços das colheitas.
Em frente ao lagar a mãe passava depressa e não raras vezes com um discurso meio ralhativo. Para ela aquilo era apenas fuga ao trabalho e pouco lhe valia. Por isso, quando o pai entrava na cozinha e pedia um dentinho usava sempre um tom de voz baixinho. A mãe respondia com o relatório dos trabalhos já feitos e às vezes até despachava, negativamente, o pedido.
A tia Maria, se a algazarra era muita entrava toda sacudida a indagar o motivo de tanta festa. Em poucos minutos despachava meia dúzia de críticas e saia apressada para, por vezes, regressava com o tão apreciado maravalho e alimentar a algazarra da festa.







Boa mano,
És o orgulho do nosso Pai!!! Só não deste para “padre” como ele bem queria, mas praticas muito boas ações. Agora, esta pintura do lagar à benfica é que já sei se o “mestre” estaria de acordo, até porque ele dizia, “oh bola do estapor”, mas ficou fantástico. Parabéns.
Gosto da descrição do “quadro”, que muitas vezes me deixou nervosa….
bj e obrigada