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Recuperada com bom gosto e muito carinho, esta foi a casa onde aprendemos a Catequese. Havia, na parte de cima, mato seco e era por ali, entre os molhos e caixas grandes de madeira para guardar o trigo e o feijão que a Teresinha, com uma pequenina vara, nos ensinava a rezar ou nos obrigava a decorar as histórias da Bíblia.
Tínhamos de saber tudo na ponta da língua para poder passar no exame realizado pelo Senhor Padre…A varinha evitava, antecipadamente, qualquer tentativa de “pequilhice” ou chamar apelidos, considerados pecados veniais…
Nos terrenos mais baixos da Lombada corre água em abundância. Nesta fonte do Cabouco, apesar das obras, continua a correr água sempre fresquinha. É um local de encanto para quem por ali passa.
No passado, era por ali que se colocavam os sacos de tremoços cozidos para perderem o amargo. A água corria, e corre, sem pressas e passados alguns dias os tremoços, semeados e criados nos cantinhos menos nobres da terra, regressavam a casa para serem temperados. Eram uma iguaria…
O meu filho é arquitecto mas eu não percebo nada de arquitectura; talvez isso seja bom porque me dá liberdade para dar opiniões sobre arquitectura sem consciência de eventuais barbaridades que possa dizer… ou escrever. Por isso, aqui vai:
Os projectos, antes de serem formas concretas, são necessidades vivenciais. Por isso, as obras devem começar a ser construídas pelo seu verdadeiro interior.
O verdadeiro interior de uma casa é a família que a vai habitar: a sua história, o seu passado, os seus sonhos, os seus hábitos, ….
O verdadeiro interior de um equipamento urbano (por ex. um parque de merendas, um palheiro requalificado ou um monumento ao romeiro) é a comunidade onde se insere: a sua memória, a sua tradição, a sua cultura, as suas necessidades actuais e futuras, …
Mas um projecto não se esgota no seu interior: como afirma Le Corbusier «l’oeuvre n’est pas part seulement d’elle même; le dehors existe». O exterior (o ambiente natural, a paisagem,…) existe, condiciona e valoriza a obra.
Portanto, o espaço arquitectural, a própria arquitectura, resulta da conjugação do interior e do exterior, que, como afirma Oscar Niemeyer, são «duas coisas que nascem juntas e harmoniosamente se completam».
Eis porque perguntamos: «E agora, onde canta a água fresca?»
Mas… que percebo eu de arquitectura?
O Guilherme fez sete anos e, apesar de já saber ler, decidiu que não fazia discurso. Uma verdadeira desilusão na festa que reuniu toda a família, inclusive a tia Fátima e o tio Altino que chegaram num carrão vindo de Londres.
Para compensar tão estranho comportamento nas festas da família o Guilherme e o Vasco, devidamente orientados pelo tiprof. Victor, deram uma verdadeira lição a todos os presentes, inclusive aos famosos cães, sobre as normas correctas para lavar as mãos e prevenir a gripe.
Claro que não faltou animação e música na “discoteca”; corridas para fugir aos salpicos com água e, de vez em quando, um beicinho caído com queixinhas aos paizinhos.
Novidade absoluta foi a apresentação da primeira edição do jornal impresso da família com notícias relevantes para o mês de Agosto. Um belo trabalho do tiprof. Victor que anunciou já nova edição para o próximo dia 9 de Agosto, com sabor e cheiro a Areia Branca.
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Para ler o JORNALeco, edição n.º 1, clique aqui>> JORNALeco_01 [pdf]
No Poço do Vilão já se podem observar sinais do novo parque de merendas. As pedrinhas dos pequenos palheiros já lhe dão um ar de graça.
Mas, quem ouviu o cantar da água entre as pedras da ribeira, andou entre as ervas sempre verdes, descansou debaixo das árvores frondosas não pode deixar de perguntar para que serviu tanto entulho dos túneis ali despejado.
Aquilo era um pequeno paraíso e agora parece um estranho mundo.
Havia uma nogueira, vimes na encosta e água sempre a correr entre as pedras. Depois veio a estrada, nova levada e os vimes desapareceram. Mas, mesmo assim, o pai ainda descobria umas pedrinhas debaixo das árvores frondosas para fazer uma espetada ou dormir uma soneca.
Agora, fruto da oferta que a família fez à Câmara Municipal de S. Vicente, vai nascer o Parque das Merendas para usufruto da população. O objectivo é o de criar uma zona social onde as pessoas poderão passar alguns tempos de lazer, fazer o seu churrasco, brincar com as suas crianças e desfrutar da imponente paisagem marcada pela natural laurissilva do Norte da Madeira e um espaço de atracção a visitantes com vista à dinamização a nossa terra.
O projecto é constituído por quatro volumes dispostos ao longo do Poço do Vilão, onde existem áreas de circulação e de estar para actividades de lazer. Os volumes distinguem-se entre si sendo um vocacionado para usos de churrascaria com linguagem arquitectónica que alude aos tradicionais palheiros agrícolas da Região. Há ainda outros volumes complementares, sendo que uns servem como abrigo e outros para a realização de piqueniques. Como articulação do conjunto optou-se pela colocação de pérgolas em madeira do tipo pinho nórdico.
O Parque terá uma placa para preservar a memória do pai que, na discrição, tanto trabalhou para a sua terra.
Mas… não seria possível conciliar toda esta modernidade com a beleza primitiva do local?
Juntar o útil (ter um sítio para despejar o entulho dos túneis) ao agradável (construção de um parque das merendas) nem sempre produz bom resultado arquitectónico.
O André fez anos e, como está cada vez mais simpático e responsável, resolveu brindar toda a família com um jantarinho de se lhe tirar o chapéu.
Contou, é certo, com a preciosa ajuda do pai na confecção da ementa mas não deixou em mãos alheias as tarefas imprescindíveis neste evento familiar. O único problema foram os telefonemas de algumas fãs que não permitiram a necessária preparação do discurso. Apesar de tudo o André revelou que a sua vida está a mudar rapidamente e pensa até que, brevemente, haverá grandes surpresas!
- Parabéns a você…
- … nesta data querida.
- Muitas felicidades, muitos anos de vida!
- Champanhe entornado: festa animada. De quem são estes calcantes?
- E agora? Já sabes?
- O que mais desejamos é que seja feliz!
Continua viva, apesar do abandono a que foi votada, a nossa salgadeira de madeira. Escavada num tronco de uma árvore a nossa salgadeira garantia abastecimento de carne salgada para quase um ano. Era uma espécie de milagre que só a mãe sabia fazer. Para isso havia ordens rigorosas a cumprir na arrumação das carnes e aí o pai mandava pouco. Para nós o ideal era que o porco tivesse uma dúzia de orelhas, e umas vinte patas, pelo menos…
Em Ponta Delgada e, de modo muito particular, nas Lombadas, os animais sempre foram auxiliares preciosos na ajuda financeira aos agricultores.
De um modo geral, as vacas escaparam à ganância dos senhorios, donos e senhores das terras e garantiam, com a venda da nata do leite (o leite desnatado regressava a casa para alimento dos porcos e galinhas), um equilíbrio mensal aos colonos nas contas da mercearia.
Os animais garantiam leite e carne, tinham direito a palheiro próprio, mas nunca foram utilizados na lavoura e, muito menos, no transporte de carga. Por isso, nunca se viu por aqui burros ou cavalos.
Os tempos mudaram e o Senhor Hugo, depois de um pónei, resolveu trazer para Ponta Delgada um cavalo que, pelos vistos, gosta da paisagem e convive sem dificuldade com as pessoas; mas é tão finório que, numa terra onde a erva cresce por todos os lados, tem direito a palha importada de Espanha.

























![Sérgio Garcês Marques & Ana Lúcia da Cruz 01 – in[pack] architects](http://escolaprof.files.wordpress.com/2008/02/blog-logo-2.jpg?w=139&h=42)
