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Hoje descobri esta pequena maravilha. Quem tem saudades, quem tem?
A mãe sempre teve medo das alturas. Nunca foi à Passada, nunca subiu à figueira grande e, agora, até fecha os olhos para “ver melhor” a vista do Senhor Bom Jesus. Imaginem que caretas faria se tivesse que saborear um dos pêssegos da casa de Celina…

Ontem e hoje, comemos dos pêssegos cá de casa. Bem sei que são poucos, mas ainda dá para comer 1 ou 2. Apareçam…
A mãe não esquece as flores que a tia Maria mais gostava e, enquanto as apanha vai sempre lembrando as preferências da tia. Quem observar o cuidado da mãe não pode deixar de sentir a importância da colaboração das duas na nossa formação. Interessante, também, é verificar como foi possível essa colaborção sem nunca confundirem os seus papeis.
Lembra-se dos doces da festa?
Havia banquinhas de madeira em quase todos os caminhos cheias de doces e brinquedos. Essa era a nossa festa de meninos. Rebuçados embrulhados em papel, cordões coloridos que faziam a nossa alegria e doces de maçapão enfeitados com papel recortado, tudo isto envolvido num cheirinho a louro, murta, fumo das espetadas e “bailhinhos” que andavam para baixo e para cima até os pés cansarem.

O palheiro do Miradoiro foi a última construção do pai. Parece uma capelinha com escadaria e varanda onde é possível alargar o olhar sobre o mar. No final da tarde, nos dias de Primavera e Verão, é possível espreitar o sol poente derramado sobre as ondas do mar, desde o Porto Moniz até às Varandas.

Teresa e a mãe experimentaram a cadeira do poder das flores da Madeira. Teresa, sempre apressada, nem deixou a máquina focar a sua perfeita combinação de cores e harmonia com as flores. A mãe, embora mais calma, também não parece muito animada. A cadeira parece ter as costas muito largas!…
Parece bilhardice, mas não é verdade. Estão apenas a elogiar a rica toalha bordada de Teresa e a recordar os tempos em que se bordava a sério no campo. A mãe levantava-se quase todos os dias mais cedo para bordar um bocadinho. Era um ritual e quase uma obrigação nos tempos em que nem electricidade havia. Ainda recordo a satisfação da mãe quando ia ao Funchal, ou nas primeiras saídas da Madeira, a aproveitar a luz eléctrica para colocar o seu bordado em dia.

A figueira grande, grande que fez as delícias da nossa meninice, foi a primeira da sua espécie a ser plantada na Lombada. Ela foi o nosso local escolhido para muitas brincadeiras e, até, aventuras, que nem sempre acabavam bem.
Havia galhos para todos. Os mais destemidos procuravam os figos nos ramos altos, os mais pequeninos e saborosas; outros contentavam-se em esticar a mão ou apanhar, depois de muito barulho, os que eram atirados lá de cima.
Todos os anos a figueira tinha direito a “tramela” nova e cada vez mais engenhosa para espantar os melros. Altino foi o grande especialista em descobrir os primeiros figos de cada ano.
O pai gostava da figueira e não perdoava um galho partido. Um dia chegou a casa já noite e foi visitar a figueira. Ao saborear um figo, uma vespa que ali se perdeu no mel, transformou-lhe a língua num ovo.
A figueira era uma árvore gigante mas, um dia, começou a morrer e quando o pai decidiu que a tinha de cortar, Altino tentou abraçar o tronco a chorar.
Nessa altura já havia outras ao lado… mas eram mais pequenas e nunca cresceram como aquela: com dois grandes ramos rentes ao chão adequados para servir de baloiço e escorrega a todos nós.

Outrora o entardecer na Lombada era quase um verdadeiro filme. Viam-se no Lombo os molhos de erva e de lenha a aparecer, as pessoas apressavam os trabalhos nos campos, aqui e ali os animais reclamavam nos palheiros… Era a azáfama antes do escurecer. Agora tudo é diferente. Apenas o sol, nos dias de Primavera, dá novos tons aos verdes dos campos da Lombada onde ainda há quem teime em cultivar a terra. Mas, os sons e as pressas da tarde, essas desapareceram para sempre.











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