You are currently browsing the monthly archive for Abril 2008.
A Tia Maria tinha um estilo reservado só mesmo para ela.
Vestia tecidos leves, cores bem combinadas, tudo parecia facilitar o passinho ligeiro e a resposta sempre pronta quando algo lhe desagradava.
Quando regressou do Congo trouxe o seu estilo e soube sempre geri-lo sem nos passar cartão.
O seu quarto, a sua sala vão permanecer na memória de todos. Sobre a cama está uma grande novidade da moda há décadas e a caneta que trouxe do Congo. Em frente ao espelho uma base para flores: uma estreia absoluta na Madeira.
(MJ)
A tia Maria tinha uma hortinha que dava pimpinelas para comer e até vender. Chegou a ter vinha, uvas americanas oriundas da parreira da avó.
Mas o emblema da casa eram os antúrios à saída da porta da cozinha. Os vasos estavam sempre alinhados e as flores bem regadinhas.
Junto ao muro, onde agora, cresce o maracujaleiro, havia um pequeno canteiro com salsa, abóboras, rosas, orquídeas… quase não se via o muro branco. era uma pequena floresta. Chegou até a nascer um abacaterio na esquina que ia rebentando com os muros.
Agora, graças aos cuidados de Heliodoro esperamos que cresçam rápido as novas abóboras oriundas da África do Sul e, sobretudo, os novos maracujaleiros ingleses (amarelinhos, doces e perfumados) nascidos lá na Lombada.
(MJ)
Era (é) assim a ilustre casa da tia inesgotável em disponibilidade, simpatia e atenções, bolo de cenoura, chá, bolachinhas e o licor, aquela bebida delicada tão bem confeccionada pela tia para os inesquecíveis e divertidos serões, … o relógio no fim do corredor com capacidade para acordar até os vizinhos, o dijuntor na cozinha que se ligava com um estrondo, a mesa sempre prontinha para uma refeição diferente da sopa e semilhas, o autoclismo modernaço há quase 50 anos que se podia puxar sentado ou de pé conforme a vontade e o tamanho do cliente….
Acabaram-se os sete dias de sortilégio. Antes de partir, encho os olhos até onde posso desta realidade geológica que tanto me faz lembrar o meu Doiro amado, pela graça suplementar da cultura que foi acrescentada à beleza silvestre. Aqui como lá, a mão laboriosa soube humanizar a rude paisagem natural sem a desfigurar. O que era majestoso e belo depois de granjeado. já quase esquecido dos tapetes persas que pisei com pés de caçador, dos criados portugueses que só queriam entender inglês, da futilidade dos casinos e do folclorismo turístico, é o milagre dos abismos povoados , das levas de água conduzidas, das grandes ravinas amanhadas que levo na retina maravilhada e agradecida è tenacidade epopeica de irmãos de sangue que transformaram, e continuam a transformar dia a dia, uma ilha de lava convulsionada num presépio de vida florida de esperança.
TORGA, Miguel – Diário. Vol. XIII. Coimbra, s.d. p. 151
A beleza, o encanto e a “força” da Madeira ajudam-nos a superar as nossas tristezas.
Citando Júlio Dinis, in “Os Fidalgos da Casa Mourisca”:
“Quanto mais nos elevamos mais se pronuncia este magnífico aspecto. De um lado vemos, aos nossos pés, o mar liso como um espelho, azul como safira, limitado ao longe pelo grupo das Desertas, vagamente tingidas do azulado da distância; do outro lado, as altas serranias que rompem as nuvens e cujos cimos tantas vezes tinge a ofuscante alvura das neves. E nos flancos, abertos em fendas quebradas, sulcadas em ribeiras pelas torrentes de Inverno, uma vegetação exuberante, cheia de vida, encobrindo aqui uma casa isolada, enfeitando além uma povoação risonha que se agrupa em torno de um campanário. Então sim, então a atmosfera embriaga, o peito aspira com voluptuosidade esse ar balsâmico, o espírito liberta-se de todas as apreensões que nos gelavam os sorrisos nos lábios e goza-se despreocupado do mais surpreendente espectáculo que pode imaginar-se”.
Com todo o nosso carinho e amor. Obrigado tia!
Foi chegada a hora de passares pela porta da Eternidade. Nela penetraste serena e confiante, com a discrição a que sempre nos habituaste. A companhia da família, a oração de todos nós, principalmente da Irmã Benigna e também os superiores cuidados da Casa de Saúde Câmara Pestana das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, ajudaram-te a encetar a eterna viagem.
Como em toda a tua vida, mais uma vez foste um exemplo de coragem e de fé para todos nós. Esta paz revelada pela tua partida é para nós o bálsamo que faltava para nos enxugar as lágrimas. Obrigado tia Maria!
Querida tia Maria! Tu continuas viva nos nossos corações e bem abraçada pela fé que todos temos no nosso Deus, Misericordioso e Salvador.
De ti fica-nos as memórias da tua companhia, da tua ajuda, das tuas palavras, dos teus ensinamentos. Obrigada tia Maria…
Nesta hora difícil, as palavras parecem-nos poucas para dizermos tudo aquilo que sentimos, por isso socorremo-nos de Goethe que soube dizer o indizível para consolar os que estavam tristes: “… e Deus, ao contar os anjos, viu que faltava um… e chamou-o.” É! Deus chamou-te! Ele viu que faltava lá um anjo para fazer companhia a todos os outros anjos e para que, juntamente com aquele anjo que é o nosso pai, vele e cuide de nós.
Agora há mais um anjo no céu.
Foi fazer companhia a todos os nossos familiares que já partiram.
Foi fazer companhia ao nosso amado pai Janes.
Agora, há mais um anjo no céu que vela por nós.
Pai, tia, avós, nossos anjos protectores,
Estas são as nossas lágrimas:
Lágrimas de fé e de coragem.
Agora, há mais um anjo no céu,
Para nos embalar quando choramos baixinho;
Para nos fazer caminhar quando desistimos;
Agora, há mais um anjo no céu,
Obrigado meu Deus!
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses (Filip 3, 20-21)
Irmãos: A nosa Pátria está nos Céus, donde esperamos, como Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo miserável, para o tornar semelhante ao seu corpo glorioso, pelo poder que Ele tem de sujeitar a Si todo o universo. Palavra do Senhor
———————–
O Senhor é a minha luz e a minha salvação. (Salmo 26(27), 1.4.7 e 8b e 9a. 13-14)
O Senhor é minha luz e salvação:
a quem temerei?
O Senhor é protector da minha vida:
de quem hei-de ter medo?
Uma coisa peço ao Senhor, por ela anseio:
habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
para gozar da suavidade do Senhor
e visitar o seu santuário.
Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica,
tende compaixão de mim e atendei-me.
A vossa face, Senhor, eu procuro:
não escondais de mim o vosso rosto.
Espero vir a contemplar a bondade do Senhor
na terra dos vivos.
Confia no Senhor, sê forte.
Tem coragem e confia no Senhor.
————————
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 5, 1-12a)
Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa». Palavra da salvação.
———————–
ORAÇÃO DOS FIÉIS
Irmãos: unidos na mesma fé, oremos ao Senhor pela nossa tia Maria,
pela Igreja, pela paz do mundo e pela nossa salvação,
dizendo com toda a confiança:
R. Nós Vos rogamos: Ouvi-nos, Senhor.
1. Pelos pastores da santa Igreja,
para que sejam fiéis à graça que receberam
e realizem o seu ministério em favor do povo de Deus,
oremos, irmãos:
2. Pelos que governam a sociedade civil,
para que promovam sempre o bem comum,
a concórdia, a liberdade e a paz,
oremos, irmãos:
3. Pelos que sofrem no corpo ou na alma,
para que sintam sempre juntos de si
a presença invisível do Senhor,
oremos, irmãos:
4. Pela nossa tia Maria,
para que o Senhor a livre do poder das trevas
e da morte eterna,
oremos, irmãos:
5. Pela nossa tia Maria,
para que o Senhor lhe mostre a sua misericórdia
e a receba no reino da luz e da paz,
oremos, irmãos:
6. Pelos nossos familiares, particularmente pelo nosso pai Janes,
para que o Senhor os conduza
à assembleia gloriosa dos santos,
oremos, irmãos:
7. Por todos nós,
para que a providência paterna de Deus nos assista
e nos proteja pelos caminhos da vida,
oremos, irmãos:
PAI NOSSO, que estais nos céus,
santificado seja o vosso nome;
venha a nós o vosso reino;
seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido;
e não nos deixeis cair em tentação;
mas livrai-nos do mal.
———————–
Vinde em seu auxílio, Santos de Deus.
Vinde ao seu encontro, Anjos do Senhor.
Recebei a sua alma,
levai-a à presença do Senhor.
Receba-te Cristo, que te chamou,
conduzam-te os Anjos ao Paraíso.
Recebei a sua alma,
levai-a à presença do Senhor.
Dai-lhe, Senhor, o eterno descanso,
nos esplendores da luz perpétua.
Recebei a sua alma,
levai-a à presença do Senhor.
———————–
Senhor, dia sem ocaso e fonte de misericórdia infinita, fazei-nos recordar sempre como é breve a nossa vida e incerta a hora da morte. O vosso Espírito Santo dirija os nossos passos, para que vivamos em santidade e justiça, para que, depois de Vos servirmos em comunhão com a vossa Igreja, iluminados pela fé, confortados pela esperança e unidos pela caridade, entremos todos na alegria do vosso reino. Por Cristo, nosso Senhor.
Amen.
V. Dai-lhe, Senhor, o eterno descanso
R. Nos esplendores da luz perpétua.
V. Descanse em paz.
R. Amen
V. Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.
|
|
|
|
Lentamente, a Tia Maria está a deixar-nos. Há dias, parece até que já partiu como o sol quando foge no horizonte.
Mas o coração continua a bater, como sempre, certinho por todos nós e, ao abrir os olhos ainda deixa correr uma lágrima pequenina se alguém estiver por perto.
«O SENHOR é meu pastor: nada me falta.
2Em verdes prados me faz descansar
e conduz-me às águas refrescantes.
3Reconforta a minha alma
e guia-me por caminhos rectos, por amor do seu nome.»
(Salmo 23, 1-3)




























![Sérgio Garcês Marques & Ana Lúcia da Cruz 01 – in[pack] architects](http://escolaprof.files.wordpress.com/2008/02/blog-logo-2.jpg?w=139&h=42)
