Apoiar a mãe

Liliana está a passar dez dias na nossa casa e a tomar consciência de tudo o que no dia a dia é necessário dar atenção para, no mínimo, criar as condições essenciais para a mãe e Avelino viverem em segurança e bem-estar.

Esta semana, Rosa apareceu de surpresa e a mãe em vez da presença de uma filha, durante pelo menos metade de um mês tem a presença de duas o que significa o agravar do problema para os próximos meses.

Acompanhar a mãe é uma obrigação de todos e de cada um. Por isso, ajudar significa estar lá quando a mãe precisa. Isso não custa nada. É só perguntar quem está lá ou vai estar.

As próximas presenças são de Fátima entre 4 e 14 de Fevereiro e Manuel entre 29 de Fevereiro e 14 de Março. Depois irá Lita entre 24 Março e 6 de Abril.

Para o Verão, segunda quizena de Agosto, até aos primeiros dias de Setembro, os 4 Pereirinhas prometem ficar com a Mãe e Avelino.

A experiência já demonstrou que, presenças em duplicado ou muito próximas umas das outras têm efeito desestabilizador no dia a dia da nossa casa.

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Memórias do fio da Passada

Altino descobriu, numa voltinha pelos “nossos” caminhos de antigamente, o batente do fio da Passada que, durante anos, esteve amarrado junto ao palheiro do avô ou numa parede, dentro do ribeiro.

Durante anos aquele filo, além de aliviar as costas de quem era obrigado a acarretar lenha dos Lamaceiros ou das Ladeiras, era o nosso fascínio.

Às vezes, quando se estava a cavar ou plantar na Chamusca o pai, com ares de boa vontade, lá autorizava uma ida à Passada sem a sua presença. Ele sempre viu bem ao longe.

Aquilo era um pulinho, sempre a subir…O ideal era arranjar os maranhos e deitar já quase a entardecer. Os ganchos faiscavam da serra até ao batente, parecia um raio a cair, mas sem meter medo.

O problema era quando um maranho empatava. Levava com um pau de louro e vinha direito ao batente ou caía na fazenda de algum vizinho e havia logo problema pela certa.

Toda a gente apreciava o espectáculo e as meninas lá de casa até achavam graça quando se deitava lenha com grandes ramos de louro atravessados para diminuir a velocidade. Diziam elas que eram maranhos com asinhas.

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A mãozinha de Altino e a alegria da mãe

Altino passou por casa, deixou obra feita e a mãe eufórica. Depois de partir, quando alguém chegava, a mãe mostrava todos os arranjos do filho mais novo com a descrição precisa dos dias de trabalho e do esforço feito.

Para começar, o banquinho de castanho, uma adaptação da antiga arca de grão, embelezada com uma flor da Nakita.

“Foi o meu filho Altino que fez!” – repete a mãe, vezes sem conta, acrescentado: – “Fartou-se de trabalhar!”

 

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Doença prejudica actualização de Avelino

Avelino passou a semana entre o Natal e o Ano Novo dentro de casa com “pica” na cabeça e febre no corpo.

Privado da sua voltinha diária, Avelino não pode actualizar a sua informação relativa aos porcos preparados para a festa, uma tradição que continua a manter adeptos.

Ele sabia quem cuidava dos bichos e até algumas datas prováveis para a festa. No entanto, a inesperada doença veio complicar-lhe as contas.

Por isso, logo que pode sair de casa, encontrou o vizinho Líbano a assobiar no seu passo devagarinho e foi logo espreitar o balde preto que levava na mão. Como não viu nada referente a alimento, exigiu logo uma explicação.

“Oh rhaaa!…”- afirmou Avelino desapontado. “P’ro ano” – respondeu o interlocutor.

O vizinho Líbano, depois das recomendações e pacientes explicações, continuou de cabeça erguida a assobiar. Nada satisfeito, Avelino seguiu o seu caminho mas, a protestar, como só ele sabe fazer.

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O Lagar: o cantinho do pai

O lagar era a verdadeira sala de visitas do pai. Por ali passavam os seus convidados mais ilustres, os amigos, as visitas do dia a dia e, por vezes até, quem seguia pelo caminho e, simplesmente, lhe apetecia mais um copinho.

Tudo ali foi pensado e engendrado por ele a seu gosto. Lagar de um lado, pipas do outro e o meio livre para a conversa.

Ali se passavam em revista os sermões da Igreja, as ordens dos senhorios com a imitação das suas vozes, a crítica social, muitas recordações das caminhadas pelas serras e veredas e, inevitavelmente, as lamentações relativas aos preços das colheitas.

Em frente ao lagar a mãe passava depressa e não raras vezes com um discurso meio ralhativo. Para ela aquilo era apenas fuga ao trabalho e pouco lhe valia. Por isso, quando o pai entrava na cozinha e pedia um dentinho usava sempre um tom de voz baixinho. A mãe respondia com o relatório dos trabalhos já feitos e às vezes até despachava, negativamente, o pedido.

A tia Maria, se a algazarra era muita entrava toda sacudida a indagar o motivo de tanta festa. Em poucos minutos despachava meia dúzia de críticas e saia apressada para, por vezes, regressava com o tão apreciado maravalho e alimentar a algazarra da festa.

     

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As queridas primas e as nossas anonas

Há anos, nas noites de Inverno, todos gostávamos de saborear o calorzinho matinal, especialmente quando o vento e chuva fustigavam as nossas janelas.

Havia até que gostasse de acordar só para ver o amanhecer, antes de ouvir a ordem para ir cuidar da vaca, ou levar o leite à desnatadeira.

No entanto, quando as anonas começavam a amadurecer havia sempre um ou outro mais espevitado que trocava a preguiça matinal pela apanha das anonas, que caiam durante a noite.

Havia até quem as apanhasse e, em vez de as levar para casa, escondias nos buracos da parede, para poder saborear a seu belo prazer e, sem partilhas, o delicioso fruto.

O que não sabíamos era que esta nossa actividade tinha concorrentes mais espevitados.

Um dia destes, a nossa prima Fátima, em conversa com as irmãs Rosário e Encarnação, revelou que depois de descobrirem o nosso gosto pela preguicinha matinal em dias de temporal, tomavam a iniciativa de limpar as anonas maiores do nosso quintal sem dar nas vistas. Um trabalhinho perfeito e logo pela pequenina da Fátima! 

     

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A polícia voltou a casa

A polícia voltou a nossa casa e as notícias continuam a ser preocupantes: os roubos aconteceram há cerca de um ano e, além das chaves de entrada, um dos suspeitos revelou que também retirou dinheiro e um leitor de DVD.

Para confirmar os factos, a polícia solicitou provas da nossa posse do leitor de DVD. Felizmente que, em casa, ficou o comando e o manual de instruções que a polícia fotografou para juntar ao processo.

Apuramos, também, que o roubo do leitor foi feito por encomenda. Isto é, um dos jovens referenciados na investigação solicitou a um nosso vizinho o roubo do aparelho e, em troca, este recebeu 30€.

Além dos objectos que, provavelmente, desconhecemos, foi também roubado dinheiro. Só de uma vez desapareceram 650€… confessou um dos jovens!

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A polícia passou por nossa casa

A mãe foi confrontada com a presença de dois polícias que estacionaram o carro atrás da nossa casa.

Delicadamente e, no âmbito de um policiamento de maior proximidade, os dois polícias pediram autorização para experimentar nas nossas portas da rua chaves que tinham sido apreendidas ao um jovem nosso vizinho e bem nosso conhecido.

A estratégia do jovem larápio era roubar as chaves para poder entrar em casa na altura mais conveniente.

Na sua posse tinha as chaves da porta da nossa cozinha e possuía pelo menos um DVD que estava na sala. Provavelmente terá levado outros aparelhos ou valores que, por dificuldades nossas e da mãe, dificilmente poderemos identificar.

Além deste nosso vizinho, no âmbito desta operação estão referenciados mais dois larápios da Lombada, um deles na posse de uma considerável quantidade de droga. Um é de meia-idade e o outro é jovem e actua encapuzado com saco preto e pedaços de corda escondidos no kispo para poder amarrar as vítimas.

Felizmente que, nos últimos tempos, alguns destes jovens sem ocupação profissional, mas possuidores de automóvel e gastos diários em bebidas e divertimentos, tem saído para trabalhar em Inglaterra, permitindo algum alívio a pessoas e bens.

 

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O pai era sempre assim!

Em dia de festa o pai ouvia com atenção os foguetes para a missa e, só depois da conversa, dos reparos dos amigos é que começava o seu ritual para partir.

A mãe mandava os mais pequenos à frente e, quando já estava quase a sair, aparecia o pai a reclamar que não sabia onde estava a água, o sabão, a toalha ou então que a camisa não estava no lugar do costume e as calças:

- As calças? Onde está o cinto?!

Tudo se compunha sempre, um pouco antes dos foguetes começarem a rebentar, para assinalar as primeiras palavras do padre.

O pai caminhava com ar apressado e respondia sempre com uma laracha aos comentários dos que saudavam o seu proverbial pequeno atraso.

Seguia direito à igreja de modo a evitar chegar antes do sermão. Este era um ponto importante para afirmar, em qualquer discussão, que cumpriu o seu dever.

O problema do pai era sempre o regresso. O caminho da igreja até casa nunca era direito: tinha muitas entradas.

Era o nosso pai e no primeiro dia de 2012 a sua campa mereceu a nossa visita. Teresa viu uns lindos sapatinhos no tapete da igreja, mas não foi a tempo de os requisitar para a sua boa ação.

Felizmente que, outra Teresa tinha o raminho ali mesmo à mão… e os sapatinhos acabaram por ficar na campa do pai a lembrar que, em dia de festa, o pai andava sempre por ali.

     

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A Lombada na Festa do Bom Jesus

No dia 1 de janeiro houve festa rija na Igreja de Ponta Delgada, com pregador de fora, coro a preceito, procissão e banda de música e conjunto no adro da igreja.

O pregador e o coro vieram de fora e a Lombada, como é tradição, participou ativamente, na Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus e Festa do Bom Jesus.

O tapete que deu cor e vida ao adro para a procissão passar foi construído e desfeito por uma família que, há anos, planta e cuida das flores que abrilhantam esta e outras festas.

Na procissão e na recolha de ofertas a Lombada nunca deixou para mãos alheias parte das tarefas essenciais desta cerimónia em que, como era costume, se participava com fato, ou pelo menos, uma peça de roupa nova.

               

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