Dia 10 – Manuel Ferreirinha
Dia 17 – A mãe Ana e a tia Maria
Parabéns. É sempre tempo de “DREAMS”
Blogue da Família Janes - Garcês, Primeira Lombada - Ponta Delgada - Madeira
Dia 10 – Manuel Ferreirinha
Dia 17 – A mãe Ana e a tia Maria
Parabéns. É sempre tempo de “DREAMS”
À nossa casa grande já chegaram os verdadeiros romeiros. Sim, porque antes por lá passaram outros, que são apenas arquitectos e, por isso, não se podem confundir com romeiros que esta página regista. Agora sim! Imaginem só as sentenças, as conversas das “Ls” da família todas juntas: Lizete, Lita e Liliana!
Já reina na nossa casa aquela azáfama própria da semana da festa: barulhinho em todos os cantos, alguma confusão, muitas combinações que se desfazem com a preguiça no próprio dia, a mãe sempre a andar com “as ordens” à volta da cabeça e o pessoal mais novo com aquele arzinho de sorna durante a santa manhã. É um verdadeiro filme em que Avelino anda sempre à espreita de mais um intervalo.
Fernando e Altino assinalaram mais um aniversário com uma reunião de família. A festa começou bem, muito bem até, com a recordação das imagens da presença da mãe na festa de Nossa Senhora do Monte e as suas declarações no telejornal da RTP/Madeira: uma verdadeira surpresa!
Começaram também bem os preparativos para a espetada à moda da nossa terra com um cheirinho a louro verde, Altino a orientar a procura e o corte da carne e o Fernando no comando da famosa braseira em dia de calor.
No ar respirava-se um clima de euforia e a arca frigorífica revelava sinais de que a festa, a verdadeira festa, seria lá mais para o final do dia quando a noite começasse a cair e o “Glorioso” entrasse em campo contra os Madeirenses.
Por que estavam noutra onda menos gloriosa, os mais pequenos e as senhoras aproveitaram ao máximo o dia de calor para saborear a frescura da piscina alheias às conversas dos entendidos no futebol e bocas similares.
Os mais pequeninos deram o exemplo e foi o melhor que aconteceu. Por pouco o “Glorioso” não distribuía uma dose de frustração logo na abertura da época. Desta vez foi só meia doze!… A verdadeira festa acabou por ser a nossa com a espetada, os geladinhos, o doce de figo e os doces em todos os cantinhos da casa.
A festa do Monte mobiliza sempre muita gente e, este ano, a nossa família esteve muito bem representada: a mãe, Celina, Avelino, Teresa, Manuel, Sérgio e, pela primeira vez, a Lúcia.
A mãe chefiou o grupo, que subiu a pé, como manda a tradição de Teresa, do Livramento até à Igreja de Nossa Senhora Monte. Muita conversa pelo caminho, sempre a subir, misturada com algumas lamentações já conhecidas.
A caminhada foi longa mas, pelos vistos foram os mais novos que revelaram sinais exteriores de cansaço. Tadinhos! Pelo menos é o que revelam as imagens da mãe que passaram no telejornal da RTP Madeira, num breve apontamento sobre a protecção de nossa Senhora do Monte.
Junto às velas acesas, sinal da devoção, a mãe revelou que já sentiu essa protecção de Nossa Senhora. Pois, com oitenta e dois anos e a cuidar de um filho com cinquenta e cinco, muito embora tenha muitos filhos, só por graça divina… E o sorriso da mãe não engana!…
O passeio a Évora, no dia 11/08/2009, foi um dia bem passado, apesar do dia de sol abrasador… nada que uns vidros abertos do carro, uns bonés ou umas garrafinhas de água não tivessem resolvido. O pretexto foi a visita de Ilda e Heliodoro.
A viagem começou no Seixal, Lourinhã. Celina, Victor e Marta partiram em direcção de Arruda, onde Manuel e Dulce tinham as uvas e figos preparados para a viagem. Dali seguimos para Alcochete, onde Reis,. Fátima, Altino, Ilda e Heliodoro engrossaram a trupe.
Parámos em Vendas Novas para almoçar umas bifanas, às quais se seguiram os figos e as frescas uvas de Manuel.
Antes de chegarmos a Évora, fomos ver o menir e cromeleque de Almendres:
O Menir dos Almendres, um monumento que os arqueólogos julgam estar intimamente ligado ao Cromeleque que é um monumento megalítico que está situado numa encosta voltada a nascente, na freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe, concelho e distrito de Évora. Trata-se do monumento megalítico mais importante de toda a Península Ibérica, não só devido à sua dimensão, mas também, devido ao seu estado de conservação. É também considerado um dos mais importantes da Europa. A formação desse cromeleque foi iniciada no final do sexto milénio a.C. e terminada no terceiro milénio a.C..
Finalmente em Évora: começamos pelo templo romano, passámos pela Sé Catedral, visitámos a Igreja de S. Francisco e a sua Capela dos Ossos e, por fim, sentámo-nos no Café da Arcada, na Praça do Giraldo, para saborear deliciosas e frescas iguarias.
Embora o templo romano de Évora seja frequentemente chamado de Templo de Diana, sabe-se que a associação com a deusa romana da caça originou-se de uma lenda criada no século XVII. Na realidade, o templo provavelmente foi construído em homenagem ao imperador Augusto, que era venerado como um deus durante e após seu reinado. O templo foi construído no século I d.C. na praça principal (fórum) de Évora – então chamada de Liberatias Iulia – e modificado nos séculos II e III.
A Igreja de São Francisco em Évora é uma igreja de arquitetura gótico-manuelina. Construída entre 1480 e 1510 pelos mestres de pedraria Martim Lourenço e Pero de Trilho e decorada pelos pintores régios Francisco Henriques, Jorge Afonso e Garcia Fernandes, está intimamente ligada aos acontecimentos históricos que marcaram o periodo de expansão marítima de Portugal.
A Capela dos Ossos tem as suas paredes e os pilares centrais revestidos com crânios e várias partes de ossos humanos, unidos com cimento; foi construída nos séculos XVI e XVII por monges que quiseram contemplar e testemunhar a breve passagem da vida. Por cima da porta está uma inscrição pintada que relembra aos visitantes a sua própria mortalidade: “Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos”.
O número de ossos que decoram a capela foi estimado em 5.000 e a lenda conta que os mesmos eram de soldados que morreram numa grande batalha ou que foram vítimas da peste. É também provável, que os ossos tenham sido recolhidos de outros cemitérios das igrejas circundantes. Nesta altura muitas pessoas eram enterradas perto das igrejas, quando ainda não havia cemitérios como os de hoje.
Na Capela dos Ossos, além da decoração nas paredes, existem dois cadáveres pendurados junto ao tecto. As suas identidades são desconhecidas, mas há várias histórias. Segundo uma lenda os esqueletos são de um homem adúltero e seu filho menor que foram amaldiçoados pela esposa ciumenta. Os ossos dos monges responsáveis pela decoração do interior estão num pequeno caixão branco dentro da capela.
Já no regresso a casa, por insistência de Marta, parámos em Montemor-o-Novo para ver o seu bonito castelo, o convento de Nossa Senhora da Saudação onde pudemos observar uma exposição de fotografia do holandês Erwin Olaf e, mesmo no final, as escavações arqueológicas que, mais uma vez, provam a ocupação romana e árabe da região.
O Castelo de Montemor-o-Novo, edificado no monte mais elevado da região, assenta provavelmente no lugar de um antigo castro pré-histórico, com posterior ocupação romana e, depois, árabe.
Na época da reconquista cristã, coube ao rei D. Sancho I, a sua passagem para a posse portuguesa, para no reinado de D, Dinis, por volta de 1365, se proceder a grandes melhorias nas defesas.
Montemor-o-novo, que pertenceu a D. Nuno Álvares Pereira, conheceu anos de muita prosperidade, a partir do século XV, devido ao facto de Évora ser residência dos reis, por largos períodos, o que incentivava o comércio em a toda a região.
O terramoto de 1755, causou bastantes danos no castelo, que viria a necessitar de obras de reparação. Depois de ter resistido aos ataques durante as invasões francesas, foi progressivamente abandonado, acelerando-se o estado de ruína ao longo do século XX.
Actualmente o castelo conserva o lanço principal da muralha, protegida por onze torreões cilíndricos e as ruínas da alcáçova, ou Paço dos Alcaides, uma construção de inícios do século XIII.
Chegados a Alcochete, estava à nossa espera o jantar feito pela Ariete e a companhia de Lita e André. O convívio, o atum e o salmão vieram mesmo a calhar… porque depois, veio o merecido descanso.
Ilda e Heliodoro dedicaram o final da sua visita a uma investigação, por sinal bem suadinha, a aspectos tão importantes como sejam os cromeleques, o património histórico de Évora e as bifanas dos nossos dias. O menir e os cromeleques, pela sua imponência, pelo seu significado misterioso dominaram as bilhardices de tarde e as bifanas, pelo esmero da sua confecção, as conversas da mana Ilda.
Ao contrário do Sr. Professor que passou o dia a confundir menir com massa folhada e pretendia um cromeleque bem passadinho à sombra de um chaparro, Ilda deu duas voltinhas bem dadas à volta do menir e, com medo de todos os antepassados, chamou Heliodoro para evitar a ira dos deuses.
No cromeleque dos Almendres já se notou mais respeitinho. Ninguém contou os 92 menires mas todos sentiram a magia do local com mais de 8 mil anos.
Victor parecia uma lapa agarrada ao calhau. Altino ficou entalado entre dois pedregulhos para sentir a magia das pedras. As meninas deambularam por entre os penedos gigantes para semear as bilhardices históricas.
Em Évora tudo foi mais romântico. Ilda e Heliodoro, aqui na versão de fotógrafo oficial das filhas, ainda espreitou o templo de Diana mas teve de dar atenção ao sexo de uma estátua modernaça.
Depois, pelas ruas estreitas da parte antiga da cidade de Évora que pareciam irradiadores de calor, fomos de Igreja em Igreja bater, sem querer, à Capela dos Ossos, dos que já lá estão, naturalmente.
Depois de tão simpática visão, Ilda mal viu um jardim florido parou logo para descansar posando para a fotografia.
No regresso, já com o ar condicionado do carro do Victor a funcionar em pleno, Marta ainda fez beicinho porque não a queríamos levar ao castelo de Montemor… Injustiças!
Felizmente que depois de tantos trabalhos Altino, mesmo à distância foi combinando com Ariete o jantar: um manjar para saborear e recordar.
Ilda, aproveitando a presença de cinco irmãs mais novas, todas juntinhas, lembrou com o sentido de responsabilidade que caracteriza as suas palavras, o muito que sofreu para ter as irmãs sempre limpinhas e a cheirar a sabonete. Todos os dias havia roupa para lavar e engomar. Ainda hoje Ilda tem marcas nos joelhos de tanto esfregar a roupa no lavadoiro de pedra dura e sempre molhado.
Por isso, Ilda confessa com moção que ficou encantada no dia em que o pai resolveu fazer um poço de lavar, alto para trabalhar de pé. O pior era que o poço não tinha água e a roupa tinha de passar por três águas e muitas vezes ainda ia a corar.
Não há memória de uma festa em que se festejasse, no mesmo dia, o aniversário de 3 pessoas da família: o rapagão Gil, a arquitecta Ana Lúcia e a londrina Celina.
No fim, depois das especialidades culinárias de Celina, da estreia de Gil na preparação de camarões à moda do estrangeiro e das bilhardices da ordem, já ninguém conseguiu “atremar” muito bem o “eloquente” discurso de Fátima publicado na 3ª edição do JORNAL.eco.
Estes dias não foram, é certo quatro dias de grandes festas como na Lombada, mas houve tempo para apreciar Sintra, Cascais, a nova basílica de Fátima; tivemos romaria, barraquinha enfeitada com louros, espetada como mandam as regras, figos pingo mel arrugadinhos, acabadinhos de colher, semilhinhas guisadas, muitos bolos, muito sol, noites amenas e sem chuva, e muita música da nossa terra, abrilhantada pelo conjunto “Grupo de Cantares da Madeira”, dirigido pelo irmão de Heliodoro. Até houve tempo para apreciar o carrão que mais se destacou nas ruas do Seixal e os maracujás de uma vizinha que tanta inveja causaram em Celina.
A presença de Ilda e Heliodoro permitiu reunir, em casa de Celina, no Seixal cá da nossa Areia Branca, mais de metade da nossa grande família para os aniversários da Celina, da Ana Lúcia e até do bonitão do Gil, o eterno menino querido da tia.
Depois da carne guisada, dos doces e bilhardices, houve tempo para apreciar os chinelos da moda e votar nas costas mais largas da festa (sem ofensa…).