A Dulce anda a cuidar das flores e pergunta a toda a gente se não conhecem plantinhas que não gostem muito da água. Pelo menos que não precisem de água todos os dias…

A nossa casa sempre esteve rodeada de flores.


Quando o pai comprou a casa à família dos Bacalhaus, havia um jardim grande (coisa rara para a época) junto ao caminho, ao lado de um grande damasqueiro.
Foi, durante anos, o nosso primeiro cenário para as fotografias e um dos locais privilegiados para as rosas e gereberas cobiçadas para os “enfeites” da igreja.
O pai queria vinho e fez a latada. A mãe protestou e a vinha nunca cresceu bem em cima do jardim. O pai acabou por se render…
Depois, o jardim cresceu, alargou-se e até foi ocupar o lugar da vinha com a plantação de estrelícias que, hoje, dá as boas vindas a quem entrar em casa.
Hoje, já não há cafeteiras, latas, penicos velhos com flores e, muito menos, a ordem diária para regar as flores.
Há vasos grandes e pequenos com plantas multicolores que decoram a entrada da casa. Uma roseira grande no balcão com flores quase todo o ano (o pai dizia baixinho para não se estragar senão a mãe brigava!) e os vasos com fetos e avencas que a mãe nunca, nunca dispensa.

(MJ)

«… Funchal, a que o capitam deo este nome, por se fundar em hum valle fermoso de singular arvoredo, cheyo de funcho até o mar». Os descobridores ou primitivos povoadores, ao desembarcarem neste lugar, que depois foi vila e mais tarde cidade, depararam com a planta, que abundantemente vegetava no vale e que, sem demora e sem esforço, se começou a chamar Funchal tendo, o nome, sido dado pelo próprio João Gonçalves Zarco.

(In “Saudades da Terra” de Gaspar Frutuoso)
(imagens in http://www.ceha-madeira.net/)

A nossa microhorta lá vai continuando a sua caminhada natural graças ao esforço de todos mas, principalmente, da Celina, do Sérgio e da Lúcia. Hoje, estive a cavar e a limpar as ervas da horta. Apesar de cansativo é um “trabalho” que relaxa.
As favas, os espinafres e os pepinos estão de “vento em popa”.
As sementes (cenoura, cebola e couve-flor) compradas pelo Sérgio na semana passada foram hoje para a terra e, além disso, plantámos também umas batatas… eu sei que já não é a altura disso, mas… apeteceu-nos…
O jardim está cada vez mais bonito (pelo menos para nós…)

Num dia de Primavera na Lombada

Os fins da tarde no Verão na nossa casa são quase sempre de encantar.
No Verão, as águas do mar, do Porto de Moniz ao Seixal, ficam douradas e parece que os raios de sol entram pela nossa casa dentro, a prender a nossa atenção.
Até a anoneira, em frente da casa, e os arbustos estão proibidos de crescer para não ofuscarem o sol poente.
Na Primavera, o sol não tem o mesmo esplendor. As cores são um pouco mais sombrias mas é sempre a nossa casa ao pôr-do-sol.

(MJ)

“Passamos a grande Ilha da Madeira,
Que do muito arvoredo assim se chama,
Das que nós povoamos, a primeira,
Mais célebre por nome que por fama:
Mas nem por ser do mundo a derradeira
Se lhe aventajam quantas Vénus ama,
Antes, sendo esta sua, se esquecera
De Cipro, Gnido, Pafos e Citera.

“Os Lusiadas”, Canto V - Estância 5
Luis de Camões

A Ilha da Madeira está para a nova realidade portuguesa (descobrimentos), como as ilhas gregas Cipro (Chipre), Gnido, Pafos e Citera, estavam para os poetas clássicos. É sintomática a instabilidade que se reflecte na poesia de Camões através da coexistência das referências geográficas que apontam para o passado, presente e futuro. O velho mundo sofre o influxo das mudanças operadas pelos descobrimentos tentando recuperar um passado mítico. O povo português olha para o presente e vê o futuro, mas temendo-o, volta-se para o passado a fim de melhor o compreender.
Os Lusiadas” é formalmente vinculado à tradição clássica (poema épico), reflecte o presente (a glória resultante dos descobrimentos) e aponta para o futuro (a superação das contradições da época).

Apesar de ainda não termos esgotado o assunto “HORTAS” (ainda falta falar de mais algumas…) é importante pensarmos nelas como uma forma de auto-abastecimento alimentar. É um conceito que tem vindo a ser muito abordado nestes tempos de crise alimentar.

No seu programa “White Sage Gardens” - no seu jardim ou quintal - uma manifestação local para a sustentabilidade, Scott McGuire aborda a seguinte questão: “Como é que um agregado familiar poderá produzir uma parcela significativa do seu próprio sustento alimentar?”

Vamos ver e, talvez, dar um novo sentido às nossas HORTAS … (é em inglês)

Em dias de nevoeiro a nossa casa fica diferente. Até a panela da sopa deita mais fumo.

Não sei o que acontece, mas, quando o nevoeiro começa a descer da Paçada para baixo e envolver toda a Lombada parecia que algo diferente iria acontecer.

Contavam-se histórias de pessoas aflitas nas serras nos tempos das idas à feiteira, aos paus de urze ou ao mato-de-bardo para as vinhas.

O certo é que sempre houve a tentação de evitar o nevoeiro com a lenga-lenga:

Nevoeiro, nevoeiro!
Nevoeiro corriqueiro,
Vai à serra,
Ao teu palheiro.

(MJ)

Ilda tem uma horta de fazer inveja a qualquer pessoa. É um exemplo da irmã mais velha.

Na horta de Ilda tudo é em grande, a começar pela casa e pelos vasos à entrada da porta.

Não há distinção entre couves e flores. As couves parecem flores e não se dá pela sua utilização na panela.

Na horta de Ilda não existe uma única erva. Erva que ali nasça é erva morta. Penso até que Heliodoro nem as deixa nascer.

(MJ)

O inhame da Lombada, pelos vistos em vias de extinção, merece a melhor atenção de todos os “amantes” da cozinha que pertencem a esta família. Aqui vão algumas receitas, ponto de partida para outras que a criatividade possibilitar.

Sopa de Inhame

Ingredientes:

  • 1 kg de inhame sem casca(s) e picado(s)
  • 1 litro(s) de leite
  • 100 gr de margarina 1 unidade(s) de cebola picada(s) finamente
  • quanto baste de cebolinha verde para polvilhar
  • quanto baste de sal
  • quanto baste de pimenta-do-reino branca

Preparação:

Derreta a margarina e salteie bem a cebola. Junte o inhame e o leite. Tempere com sal e pimenta. Quando o inhame estiver bem cozido, bata no liquidificador. Se ficar grosso, adicione um pouco mais de leite até obter a consistência cremosa desejada. Sirva bem quente, salpicado com a cebolinha.

Puré de Inhame

Ingredientes:

  • 1 kg de inhame
  • 1 unidade(s) de cebola picada(s)
  • 2 dente(s) de alho
  • 2 colher(es) (sopa) de azeite

Preparação:

Descasque os inhames e corte em quatro. Coloque-os a cozinhar numa panela com água fervente e sal. Quando estiver mole, apague o fogo e retire-os da água. Reserve a água do cozimento.
Numa frigideira média coloque o azeite e deixe ficar bem quente, adicione o alho, a cebola. Refogue. Por último o inhame.
Amasse com um garfo e misture tudo. Mexa sem parar.
Corrija o sal. Se for necessário coloque um pouco de água, use a água do cozimento e leite.

Inhame à Bolonhesa

Ingredientes:

  • 250 g de inhame;
  • 1 chávena (chá) de carne moída;
  • Sal, pimenta a gosto;
  • 1 cebola média picada;
  • 1/2 chávena (chá) de cebolinha verde;
  • 1 colher (sopa) de queijo ralado;
  • 1 colher (sopa) de óleo;
  • 1 dente de alho amassado;
  • 1 lata de molho de tomate;
  • 1/2 chávena (chá) de água;
  • 1 colher (chá) de orégano;
  • Óleo para untar a forma.

Preparação:

Lave bem os inhames e cozinhe inteiros em água e sal, corte-os em rodelas e reserve; Doure a cebola e o alho no óleo, acrescente a carne e refogue; Junte o molho de tomate, o sal e a pimenta e misture. Em seguida, coloque a água, mexa e deixe cozinhar formando um molho. No final do cozimento acrescente a cebolinha e o orégano, mexa e desligue o fogo; Coloque uma camada de inhame numa assadeira untada, em seguida cubra com o molho; Faça uma outra camada de inhame e cubra com o restante do molho, polvilhe com queijo ralado e leve ao forno por 10 minutos.
Sugestão: pode-se mudar o molho, ou trocar a carne por frango.

Inhame frito

Ingredientes:

  • 500 g de inhame
  • 2 ovos batidos
  • Sal a gosto
  • Óleo a gosto
  • Farinha

Preparação:

Descasque o inhame e cozinhe em água e sal. Depois de cozido escorre bem, corte em rodelas grossas e em seguida passe nos ovos batidos e na farinha. Frite em óleo bem quente. Pode servir com peixes ou carnes.

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